Vale a Viagem

A tradição da Páscoa surgiu bem antes do cristianismo. A festa tem origem no Pessach (passagem) judeu, que comemora a travessia, comandada por Moisés, pelo Mar Vermelho. A simbologia também está ligada a costumes pagãos para comemorar o fim do inverno e o início da primavera no Hemisfério Norte, numa celebração de renovação da vida. Por esse motivo, o costume de presentear amigos e parentes com ovos coloridos é seguido até hoje em diversos países. As versões feitas de chocolate chegaram bem mais tarde, no século 18.

O Estado de S.Paulo

23 Março 2010 | 02h54

1 Rússia

Em 1885, o czar Alexandre III encomendou um ovo de ouro com pedras preciosas ao joalheiro francês Carl Fabergé. A maravilha seria um presente de Páscoa para a czarina Maria Feodorovna. Por fora, a peça parecia um ovo simples, de ouro esmaltado. Só que dentro ele se abria sucessivamente, como as matrioskas, mostrando pequenas joias - entre elas, uma réplica da coroa imperial feita de diamantes. A czarina gostou tanto que Alexandre III pediu que o joalheiro fizesse um ovo por ano. Seu filho, Nicolau II, manteve o hábito e, hoje, os ovos Fabergé têm status de obras de arte e são arrematados por pequenas fortunas.

2 Ucrânia

A tradição de dar ovos decorados de presente é anterior ao cristianismo - na primavera, os pagãos enterravam ovos como oferendas para seus deuses. Em 988 d.C., com a mudança de religião, as pinturas ganharam outros significados. Os desenhos esotéricos de triângulos, por exemplo, passaram a ser considerados a representação da tríade Pai, Filho e Espírito Santo. Também são usadas outras figuras e muitas cores, de acordo com o desejo de quem dá o presente-amuleto. As aves simbolizam fertilidade e as estrelas, eternidade. O verde é a renovação pela primavera e o amarelo, a colheita e a juventude.

3 Armênia

O vermelho é a cor oficial, por assim dizer, dos ovinhos armênios, que recebem o impronunciável nome de garmeer havgeed. Segundo a crença local, Maria levava pão e ovos enrolados num xale quando viu o filho crucificado. O sangue teria tingido os alimentos, - a cor, então, simboliza o sofrimento de Cristo. Antes de comerem os ovos, como manda a tradição, as crianças da família simulam uma "guerrinha". Uma tenta quebrar a casca do ovo da outra, usando como "arma" seu próprio ovo. Se ele não quebrar, o ano será de prosperidade. Outras comidas são feitas especialmente para a época: arroz com uvas passas e frutas secas, servido com peixe. Para finalizar, o pão-doce da Páscoa (choereg).

4 Polônia

A confecção dos pisankis começa na própria semana da Páscoa. Tintas naturais, obtidas da beterraba e da casca de cebola, são usadas para pintar os ovinhos - de galinha ou madeira - com flores e símbolos de cada região. As famílias levam as lembrancinhas para serem abençoadas pelo padre na missa de domingo, juntamente com uma cesta de alimentos decorada com fitas e flores, a swieconka. Depois da celebração, todos se reúnem em um café da manhã simbólico e trocam os ovos coloridos.

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