Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

Veleiro que reproduz volta ao mundo chega ao Rio 500 anos depois de Magalhães

Embarcação espanhola que reproduz viagem realizada há 5 séculos ficará no Rio de Janeiro até dia 8 de janeiro

Carlos A. Moreno, EFE

26 de dezembro de 2019 | 09h00

RIO DE JANEIRO - O veleiro espanhol Pros, que reproduz cinco séculos depois a primeira volta ao mundo comandada por Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano, chegou na última quinta-feira, 19, ao Rio de Janeiro, 500 anos (e seis dias) depois que os pioneiros o fizeram e, graças aos bons ventos, a uma velocidade registro.

Na terceira etapa da viagem, que terá, ao todo, 44 mil milhas náuticas (81.500 quilômetros) e duração de três anos - de agosto de 2019 a setembro de 2022 - , o Pros completou em nove dias os 2.037 quilômetros que separam o Recife, onde chegou em 8 de dezembro e de onde saiu dois dias depois, do Rio de Janeiro, a cidade mais emblemática do Brasil e que foi a primeira escala de Magalhães na América.

As cinco naus que realizaram, há cinco séculos, a epopeia iniciada sob o comando do português Magalhães e concluída pelo espanhol Elcano tocaram a terra pela primeira vez na América, mais especificamente a então chamada baía de Santa Lúcia, hoje Rio de Janeiro, partindo três meses antes de Sanlucar de Barrameda (Espanha), em 13 de dezembro de 1519.

O atual veleiro de 21 metros de comprimento chegou ao Rio com seis dias de atraso em relação à viagem de Magalhães e Elcano, mas no prazo previsto pelos organizadores, embora tenha navegado paralelamente à costa brasileira em velocidades recordes.

“Foi uma viagem tranquila. Tivemos um vento muito bom. Um vento às vezes um pouco excessivo, que nos permitiu bater o recorde de velocidade mesmo com pouco pano. A viagem foi francamente boa. Tanto assim que a data de chegada era hoje e tivemos de ancorar em Búzios, onde poderíamos descansar alguns dias em uma bela e estupenda baía”, disse o capitão do Pros, Pepe Solá, à EFE, poucos depois de pisar no píer do Iate Clube do Rio de Janeiro.

Este navegador veterano ressalta que, apesar de também ser um veleiro, as condições de navegação de ambos são totalmente diferentes, e hoje é possível aproveitar as tecnologias desenvolvidas nos últimos 500 anos. "Faz 500 anos. A tecnologia avançou, o conhecimento também. Eles foram pioneiros. Tudo o que fizemos foi procurar saber o que eles já haviam descoberto. O mérito deles não é nada comparável. Para nós, é uma aventura, é interessante, é divertido, é emocionante”, disse ele.

SEM COMPARAÇÕES

O Pros, de sua parte, é um ketch, um veleiro de dois mastros que navega com baterias, um gerador de eletricidade, GPS, rádio de longo alcance, antena de satélite e até piloto automático: "Muitas vezes, especialmente nos plantões, lembro-me do que o que eles fizeram, na aventura em que entraram com os poucos meios tecnológicos que tinham na época. Conhecemos a meteorologia, conhecemos a geografia de onde estamos indo. Eles não tinham ideia. E eram condições de navegação incomparáveis: navios que eram bons na época, mas em nada comparáveis com os de agora”.

No entanto, ele admite que, com todas as tecnologias disponíveis, “ainda temos de enfrentar desafios difíceis e até perigosos”."Eles sofriam de uma tremenda falta de conhecimento. Nós sabemos para onde vamos. E sempre podemos encontrar surpresas, mas nada a ver com as deles, que desconheciam tudo”, disse ele.

 “A passagem pelo Estreito de Magalhães é sempre complicada. Vamos tentar passar em uma época boa, que é no verão do sul, mas é claro que prevemos dificuldades. Nunca é fácil atravessar o estreito", disse ele.

O Pros permanecerá ancorado no Rio até o próximo dia 8 de janeiro, quando partirá para Montevidéu (17 de janeiro) e Buenos Aires (19 de janeiro). Depois, irá para Península Valdés, Puerto Deseado e Puerto San Julián, antes de chegar a Punta Arenas (Chile) em 8 de fevereiro de 2020.

"Então continuaremos em direção a Punta Arenas para superar o Pacífico. Mas, diferentemente do que eles fizeram quando partiram do Estreito de Magalhães e rumaram para o noroeste, iremos ao longo da costa e margearemos o litoral oeste da América do Sul”, disse ele, explicando as paradas em Valparaíso, Callao, Guayaquil e Galápagos.

Dos 7 tripulantes do veleiro, seis retornarão à Espanha do Rio e o outro permanecerá em serviço no navio. Uma nova tripulação chegará em janeiro para continuar a viagem, mas o capitão Solá só retornará à aventura em Buenos Aires.

Ele espera que, diferentemente de Magalhães e Elcano, que tiveram no Rio a única parada agradável da viagem antes do início dos problemas, a “volta ao mundo de Pros continue tão agradável quanto está até agora”. / Tradução de Claudia Bozzo.

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