Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

Vento (e poeira) no rosto no passeio de quadriciclo

Cânions, praias desertas, o encontro do rio com o oceano, tudo a bordo de um quadriciclo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2017 | 04h30

CONDE - Capacete ajustado, é só assumir o controle. É possível sentir a brisa do mar no rosto e acompanhar a paisagem mudando em questão de minutos. Cânions, praias desertas, o encontro do rio com o oceano, tudo ao alcance do tour a bordo de um quadriciclo pela cidade de Conde, a 19 quilômetros de João Pessoa.

Fácil de operar, o quadriciclo dá autonomia aos turistas, não exige carteira de habilitação e proporciona um perspectiva diferente para admirar o cenário e curtir as praias. Com a vantagem de que os roteiros também podem ser feitos à noite.

O tour guiado de três horas da empresa RedRock custa R$ 160, para duas pessoas por veículo. O grupo parte do restaurante Tropicália, o ponto de encontro na Praia de Coqueirinho. A partir dali, será preciso percorrer estradas de terra para acessar alguns locais. Use óculos de sol para proteger os olhos da poeira. 

Seguimos todos para a área dos cânions, formados a partir da erosão. Ao se aproximar, a terra vai mostrando uma paleta de cores. Lado a lado, os cânions formam um vale em tons de laranja, lilás e branco, pontilhado pelo verde da vegetação.

Esta parte do trajeto exige pouco do condutor. Aproveite para pegar o jeito no quadriciclo, que demora um pouco mais do que um carro para responder ao comando da direção.

Uma das cenas mais marcantes da viagem é o Mirante do Dedo de Deus, falésia que oferece uma visão panorâmica da divisa entre as praias de Coqueirinho e Tabatinga. Do alto se vê toda a faixa de areia branca, os arrecifes e o mar. É fácil se sentir privilegiado por estar ali. Pode abrir os braços e estampar o sorrisão porque nem mesmo uma pose cafona vai estragar a selfie.

Em seguida, o grupo para na Casa do Doce de Tambaba, uma loja construída com madeira e barro e decorada com chita, em um assentamento quilombola onde vivem 64 famílias. Lá, as plantações de abacaxi, mamão e maracujá viram doce caseiro. Há redes instaladas à sombra. 

Com cerca de 60 metros de altura, o Castelo da Princesa é o próximo mirante. Trata-se de uma voçoroca à beira-mar, já na divisa da praia de Tambaba, que ganhou o nome por causa do seu formato, que lembra uma torre esculpida pelas chuvas e pelo vento. A paisagem é bonita – a torre à frente, o oceano ao fundo – e inspira poses irreverentes. Visitantes usam ilusão de óptica para fingir que está tocando o topo do castelo.

É hora da parte mais difícil do roteiro: a Barra do Graú, onde o rio encontra o mar, na divisa com o município de Pitimbu. O acesso é complicado. Há subidas e descidas, buracos na estrada de terra, mato e poeira, desnível na trilha. Avistar os coqueiros se aproximando no horizonte é um alívio. 

A Barra do Graú é uma praia deserta, perfeita para um mergulho na água quente. Mais à frente fica o braço do rio, margeado pelo mangue. Um cenário que certamente faz valer a pena o esforço para chegar até ali. 

DICAS GASTRONÔMICAS

Em João Pessoa, o Mangai, rede de restaurantes de comida típica, tem com garçons vestidos de cangaceiros. Peça a carne de sol desfiada com nata ou o suvaco de cobra (carne de sol moída e milho verde). Self-service a R$ 61,90 o quilo.

A lagosta é o carro-chefe do restaurante Tropicália, na Praia de Coqueirinho, no Conde. Servida com batata souté e arroz com brócolis, é maior que um antebraço (!). O preço é proporcional ao molusco: o prato sai por R$ 280.

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