Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Verde tão verde que chega a provocar comoção

Em 2006, percorri o litoral de Alagoas de Maceió a Maragogi, ou seja: no sentido inverso ao escolhido desta vez. O primeiro contato com a orla do Estado é inesquecível. O mar, de um tom de verde hipnotizante, rendeu à região o codinome de Caribe brasileiro. E me conquistou logo de cara.

O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2012 | 02h12

Seis anos depois, tive a mesma comoção ao colocar os olhos novamente no mar alagoano. E, mais uma vez, tirei os óculos escuros para me certificar de que o verde era mesmo assim tão verde. No trecho entre Carneiros e Maragogi, ele fica escondidinho entre casas e hotelões, mas, vez ou outra, aparece.

Maragogi já tinha despontado como grande polo turístico naquela época, e isso não mudou. Continua um sucesso, sempre movimentada, embora, fora de temporada, ainda seja possível caminhar tranquilamente pela praia entre o Salinas (foto)- resort all-inclusive repleto de mordomias - e o centrinho da cidade.

Houve uma mudança positiva na visitação às piscinas naturais que deram fama ao destino. No máximo dez catamarãs por dia, com até 60 pessoas cada, podem ancorar por lá (R$ 50 por pessoa, mais R$ 5 para quem precisar de máscara). Alimentar os peixes é proibido, assim como vender comida nas embarcações. Ponto para a natureza.

Os guias instruem os turistas também a ter cuidado com os corais, formações frágeis que já apresentam os estragos causados nos anos de exploração descontrolada. Um snorkel é suficiente para ver os peixes, mas quem opta pelo mergulho com cilindro (R$ 80) tem a oportunidade de encontrar uma variedade muito maior: peixes-pedra, lagostas enormes, cardumes coloridos...

Mesmo iniciantes podem se aventurar na modalidade. Você coloca o equipamento e faz um teste na área rasa, onde dá pé. Quem não se sente seguro devolve o cilindro e não paga nada por isso. Meu conselho? Deixe de lado o pensamento "eu não consigo" e faça ao menos uma tentativa.

Além da já citada facilidade de ver mais espécies, você ainda vai sair do meio da multidão, que se aglomera no trecho onde atracam as embarcações. O silêncio do mundo submerso faz com que seja possível curtir muito mais aquele cenário, que transmite uma paz única.

À noite, a programação é tranquila: você pode comer a Tapioca da Martha, uma tradição local, e depois fazer comprinhas na feira de artesanato, em frente à praia. Ou, se preferir investir em sabores mais refinados, pode seguir até Japaratinga (a 10 quilômetros dali) e jantar na Estalagem Caiuia. A cozinha aberta, na qual há total integração entre chef e cliente, dá um clima caseiro ao local. Mas não se engane: os pratos, que levam a assinatura do ótimo Divina Gula, de Maceió, são memoráveis. Só não esqueça de reservar antes de ir. / ADRIANA MOREIRA

 

Entre coqueiros e mergulhos

 

Fica a seu critério: você pode aproveitar que está instalado em Maragogi e passar um dia percorrendo as praias ao norte da cidade com seu carro ou investir no passeio de buggy (R$ 160, 2 horas), até a divisa com Pernambuco.

 

A vantagem do buggy é que, em alguns trechos, o passeio é à beira-mar. A primeira parada, ainda em Maragogi, rende uma panorâmica da região: o bugueiro encara um morro íngreme para que o turista faça aquela foto estilo cartão-postal.

 

Missão cumprida, caímos na estrada. Burgalhau é a primeira praia que surge, com hotéis e barracas de praia. À medida que avançamos para o norte, tudo fica mais natural, com coqueiros dominando o cenário em terra. Vez ou outra, surge um pescador.

 

A água absurdamente transparente e o mar calmo de Antunes são perfeitos para um mergulho. Amilton, o bugueiro, sabe o que diz: "É o melhor lugar para banho". Fiquei ali, me refrescando, até que os dedos enrugassem. Vez ou outra, o freguês pede para o buggy parar - mais um clique. Peroba, o ponto final, também vale o mergulho. Na maré baixa, você anda, anda, anda, e a água nunca fica acima da cintura. Só fique atento com as pedras. /A.M.

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