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Viagens de carro são aposta de empresas de turismo

Operadoras investem mais em ofertas de hospedagem, com pacotes para destinos próximos de São Paulo

Nathalia Molina, Especial para o Estado

21 de setembro de 2020 | 05h00

No início da pandemia, ninguém saiu de casa. Depois, surgiram as viagens curtas: seguindo a tendência mundial de retomada do setor, a primeira ideia foi pegar a estrada de carro até um lugar não muito longe – e deixar ônibus e avião para uma próxima oportunidade. As operadoras de turismo perceberam essa tendência. Embora elas já vendessem pacotes só com hospedagem (ou combinados com passeios) antes de o coronavírus mudar nossos planos, muitas delas passaram a investir mais fortemente nesse mercado.

“A representatividade das hospedagens sem voo nas nossas vendas cresceu 32%, se compararmos agosto deste ano com o mesmo período do ano passado”, afirma o diretor-geral da Decolar, Alexandre Moshe. As viagens curtas vendidas pela empresa, geralmente, oferecem de duas a cinco diárias, diz Moshe.

A BWT Operadora também registrou crescimento nas vendas de pacotes só com hotel em todos os Estados. “São demandas bem específicas e que variam de acordo com a região, mas posso afirmar que as pessoas estão voltando a viajar e estão preferindo carro”, diz o gerente geral, Gabriel Cordeiro. Ele explica que não precisou adaptar o portfólio para a nova demanda. “O que mudou foi o direcionamento de divulgação para pacotes dessa natureza. Criamos até o selo Viaje de Carro.”

Um dos pacotes da BWT, por exemplo, tem como destino o Enjoy Olímpia Park Resort, em Olímpia, no interior paulista. Inclui café da manhã, jantar, estacionamento e cortesia para até duas crianças com no máximo 12 anos, além de um dia no parque aquático Thermas dos Laranjais (com reabertura prevista para 1º de outubro). No hotel, as operadoras responderam por metade do total de check-ins em agosto.

Os resorts, aliás, se destacam entre as acomodações favoritas dos viajantes no levantamento de agosto da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) com dados sobre a comercialização de seus participantes, que respondem por cerca de 90% das viagens de lazer no País. Confirmando o interesse por lugares próximos, a terceira posição na preferência foram hospedagens a até 400 quilômetros da cidade de procedência. Sobre a duração, até 4 dias e viagens de fim de semana ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Na Abreu, a venda de hospedagem subiu de 20% para 40%, segundo Adriana Boeckh, gerente de marketing da operadora no Brasil. “Detectamos ainda outra mudança. Os clientes agora buscam hotéis selecionados, em regiões tranquilas e com atividades de bem-estar e lazer.” Para isso, ela indica o pacote do Bourbon Atibaia Resort.

Variedade na oferta de hotéis

O viajante pode customizar seu roteiro com a operadora, adicionando à acomodação produtos como aluguel de carro, por exemplo. Mas, se agora as pessoas querem mesmo é hotel, as empresas foram atrás de variedade.

“Com a pandemia, o assédio das agências aumentou demasiadamente. Algumas perceberam a tendência e se organizaram logo. O grande desafio delas é conseguir transformar em produtos os roteiros que não conhecem, como grande parte do Brasil”, afirma Fábia Raquel, proprietária da Fazenda Santa Vitória, no Vale do Paraíba. “Poucas operadoras perceberam que é preciso neste novo momento criar produtos voltados para cada região do País.” A Santa Vitória reúne casarão colonial e cachoeira, mas destoa do hotel-fazenda convencional, com toques de requinte: entrou para a seleção da renomada revista Condé Nast Johansen em 2019 e tem gastronomia a cargo do chef Vitor Rabelo.

Ainda em maio o Circuito do Litoral Norte de São Paulo fez uma ação para convidar operadoras do País a criarem produtos de turismo de experiência em Ubatuba, São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela e Bertioga. Mas há quem prefira mesmo trabalhar diretamente com reservas dos hóspedes. É o caso da Rede Beach Hotéis, que começou há 22 anos com um hotel em Maresias e hoje conta com cinco no litoral norte de São Paulo e um no interior paulista – o único ainda fechado é o da Praia da Jureia, com previsão de reabertura em 2 de outubro. Segundo o grupo, a ocupação está acima da média, sendo a maior parte dos viajantes moradores da capital.

A procura no Fazenda Santa Vitória, em Queluz (divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro), também aumentou espontaneamente. “Trabalhávamos muito pouco com as operadoras antes da pandemia. Hoje, representa 10% das reservas”, conta Fábia. “Não temos disponibilidade para atender demandas maiores. Por exemplo, só temos disponibilidade para famílias com crianças na segunda quinzena de janeiro.”

Gabrielle Monteiro, gerente de Marketing da Pisa Trekking, especializada em natureza, percebeu essa mudança no perfil do viajante. “Sempre tivemos muitas pessoas que viajam sozinhas, porém temos notado o aumento de famílias, casais e amigos. Estamos querendo curtir momentos especiais com quem amamos.” Por isso, a operadora ampliou seu cardápio. “Procuramos novas parcerias com pequenos hotéis que oferecessem experiências na natureza próximas de São Paulo.” O roteiro Multiaventuras em Brotas proporciona algumas: rafting de oito quilômetros de descida, arvorismo com 34 atividades suspensas e um quilômetro de tirolesa no Voo do Poção.

A cidade paulista de esportes de aventura, aliás, entrou para o portfólio da CVC, maior operadora do País, em agosto. Foi um das 76 destinos acrescentados à sua oferta de hospedagem. A baiana Caraíva também integra agora a lista de cerca de 3 mil lugares onde a empresa vende acomodação. “É a hora de conhecer o Brasil. Por isso, ampliamos as opções de hospedagem e o número tende a crescer”, diz Claiton Armelin, diretor executivo da companhia.

Os destinos favoritos dos viajantes

Nas compras de agosto para check-in no fim do ano em destinos paulistas pela Decolar, os cinco preferidos foram, pela ordem, Guarujá, Ilhabela, Ubatuba, Campos do Jordão e Santos. Os quatro primeiros aparecem na lista do site de reservas Booking.com entre os dez destinos nacionais mais buscados por brasileiros na última semana de agosto, com Campos do Jordão no topo do ranking.

Monte Verde também está entre os dez mais buscados no Booking. Embora fique em Minas Gerais, o distrito de Camanducaia é muito visitado por paulistas por ficar no sul do mapa do Estado. O sistema de reserva é importante parceiro da hotelaria local, ao lado da Expedia, de acordo com a Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região (Move). 

Desde 4 de junho, as atividades turísticas começaram a ser retomadas no local. Para evitar aglomeração, hotéis mantêm piscinas e outras áreas de lazer seguem fechadas. A Pousada SPA Mirante da Colyna comunica as novas regras logo na entrada do seu site. Nada que a localização privilegiada não resolva, com um amplo visual das montanhas.

Pacotes para viajar de carro perto de São Paulo?

Abaixo estão os menores preços oferecidos em cada caso:

Atibaia: Pela Abreu, R$ 2.060 por pessoa no Bourbon Atibaia Resort, de 22 a 26/10.

Brotas: Com a Pisa, duas diárias a R$ 617 por pessoa.

Campos do Jordão: Na CVC, a R$ 387 para dois, de 19 a 22/10.

Ilhabela: De 5 a 8/11, a R$ 854 para duas pessoas na Decolar.

Maresias: Diária no Beach Hotel Maresias para dois (fim de semana; mínimo de duas diárias): R$ 720

Monte Verde: Diária para dois por R$ 300 (entre os associados da Move); na Pousada SPA Mirante da Colyna a R$ 600.

Olímpia: Na BWT, quatro noites no Olímpia Park Resort a R$ 545 por pessoa.

Queluz: Na Fazenda Santa Vitória, diária por R$ 1.800 para dois.

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