Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

Viajando com os melhores amigos

Mr. Miles acredita que é preciso deixar seu cãozinho farejar outros países

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 03h00

Mr. Miles informa que escreveu esta coluna dias antes do casamento entre o príncipe Harry e Meghan Markle, ao qual, como sempre, foi convidado pelo cerimonial da Casa de Windsor. Nosso correspondente informa que sempre comparece a esses eventos “com muito prazer” e que, apesar de vê-los com sua devida e relativa importância, fica feliz em saber que seus compatriotas ainda vibram em fazer parte de uma espécie de conto de fadas anacrônico. “Exceto, of course, pelos chatos. Esses sempre existem e, unfortunately, são parte exponencial de todas as sociedades”, comenta o grande viajante.

Miles está feliz com o ingresso de sangue novo na família real e afirma que aprendeu com sua raposa das estepes siberianas que é da mistura das raças que surgem as melhores qualidades dos seres vivos – sobretudo dos humanos.

Aproveitando o gancho, Mr. Miles agradece o “brilhante comentário” da leitora de seu instagram @mrmilesoficial Maria Oliveira Lima que, a respeito dos acontecimentos entre Israel e Palestina, ponderou: “Indeed, my dear: from the sky we see no borders”.

 As mesmas fronteiras que, como viajante contumaz, nosso cordial correspondente britânico abomina. 

A seguir, a pergunta da semana:

Prezado Mr. Miles: é possível viajar na companhia de animais de estimação? Não é verdade que a maioria dos países proíbe a entrada deles? Eu, por exemplo, não viajo para não ver minha querida fox terrier discriminada. 

Fausto Ferraz Filho, por e-mail

Well, my friend, é claro que existem restrições para o transporte de mascotes e que elas variam conforme o destino que você escolher. Quase sempre, however, é uma questão meramente burocrática, no justo nome da saúde pública. Em minha opinião, você não deveria coibir sua fox terrier do imenso prazer de farejar novos países e, é claro, experimentar a qualidade de seus postes e árvores na função de toaletes. Bastaria, para isso, que você escolhesse um destino, ligasse para seu consulado e obtivesse informações prévias sobre sua política em relação ao tema. Todos, of course, vão pedir certificados de vacinação e muitos deles não terão nenhuma outra objeção a opor. Há, as well, milhares de hotéis e pousadas que recebem mascotes com grande simpatia. Na França, por exemplo, constatei o funcionamento de muitos estabelecimentos que tratam muito melhor os cachorros do que seus proprietários… mas isso, well, é uma antiga antipatia que nutro pelos nossos vizinhos de canal.

Há, também, muitos países que exigem uma quarentena para animais recém-chegados e, nesses, conforme o tempo de sua viagem, não vale a pena levar seu mascote. 

Certa vez, uma amiga querida, chamada Nathalia von Titus, disse-me que tinha uma viagem marcada para a Coreia, e que jamais levaria seu buldogue francês para aquela nação: “Eles comem cachorros, Miles. Imagine se o meu lhes abre o apetite!” Well, não posso dizer que ela não tinha um argumento. Nevertheless, tentei explicar a ela que os coreanos não ficam pela rua capturando cachorros, assim como nós, ocidentais, não vamos para os pastos na captura de bois. De fato, eles apreciam a carne de determinadas raças de cachorro, assim como muitos povos, inclusive europeus, salivam por carne de cavalo. Disgusting, isn’t it?

Como já contei muitas vezes em minha coluna, não tenho problemas para viajar com Trashie. Ela é muito famosa no meio aeronáutico e as aeromoças sempre permitem que ela viaje embaixo de meus pés. Além de muito silenciosa, ela jamais suja os aviões. De vez em quando, especialmente quando ouço clássicos russos, pede-me que compartilhe o fone de ouvido com ela, o que é fair enough. Ah: e sempre levo comigo uma dose de single malt para acalmá-la em caso de voos muito turbulentos. 

No desembarque, minha raposinha caminha com tal altivez que muitas vezes passa pelos controles de imigração sem sequer ser notada. Anyway, my friend: vale o esforço. Viajar com os amigos é sempre muito bom. O que dizer, então, dos melhores amigos? 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. SIGA-O NO INSTAGRAM @MRMILESOFICIAL

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