Marc Cramer/Divulgacao
Marc Cramer/Divulgacao

Vida ao ar livre sob o calor de Montreal

Cidade do Canadá curte o clima em parques e mesas ao ar livre

Nathalia Molina, Especial para O Estado de S.Paulo

12 Junho 2015 | 21h50

A garçonete mostra as opções de menu do dia. Intimamente torço o nariz para a sopa de couve-flor de entrada, mas dou uma chance aos pequenos caules. Saborosa surpresa, só aplacada pela sobremesa: sorvete de chocolate amargo com cassis e cerejas naturais. Nem o cordeiro do prato principal apaga da memória gustativa as minúsculas flores brancas e roxas do início da refeição.

O almoço, na agradável varanda do Salmingondis, abre mais uma visita minha a Montreal (tourisme-montreal.org), a metrópole do Canadá francês. Intensamente gastronômica, a cidade da província de Québec tenta os visitantes a experimentar delícias em tradicionais e novas casas. Há de bistrôs a conceituados restaurantes, entre eles, o Europea, do estrelado chef Jérôme Ferrer, das associações Relais & Châteaux e Les Grandes Tables du Monde, sinônimos de excelência.

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Novos restaurantes surgem a toda hora em Montreal. A Petite Italie, vizinhança italiana, ganhou o Salmingondis, no qual provei o menu a preço fixo (22 dólares canadenses; cada dólar canadense vale R$ 2,55). Fica a uma quadra do Boulevard Saint-Laurent, repleto de lugares para se desfrutar de uma taça de vinho.

A vocação gastronômica de Montreal fica evidente também no hábito dos moradores, que prestigiam os produtores locais. Pela Rue Saint-Denis, vá até o Marché Jean-Talon. No centro, as barracas vendem coloridos legumes e frutas. Morango, mirtilo, framboesa... a 4,50 dólares canadenses a cestinha. O mercado é cercado por lojinhas e cafés, convite a uma parada.

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O Boulevard Saint-Laurent parte do sul em direção ao norte de Montreal e corta o Quartier Chinois, bairro chinês, antes de atravessar os três bairros mais descolados da cidade: Plateau-Mont-Royal, Mile-End e Petite Italie. Ruas arborizadas, bicicletas no jardim, casinhas com escadaria externa. Tão Montreal. O cenário se completa com cafés, restaurantes e bares com música - integrantes da Arcade Fire, banda indie canadense vencedora do Grammy de Melhor Álbum em 2011, moravam em Mile End -, ao lado de livrarias e lojas de artigos vintage.

Certidão de nascimento. Naquela região fica o monte que batizou a cidade, o Mont-Royal, com 233 metros. Um mirante rende belas imagens de Montreal com o Rio Saint-Laurent. Aos pés do morro, esparrama-se o Parc Mont-Royal, parque de 1876 projetado por Frederick Law Olmsted, mesmo paisagista do Central Park de Nova York. O verão do Mont-Royal é abarrotado de atividades.

Montreal é de cair de amores. Ainda mais nos dias de calor. Os lugares se enchem de vida. Até o gigante Parc Olympique fica agitado. Construído para a Olimpíada de 1976, o parque hoje abriga jardim botânico, planetário e a torre inclinada de 165 metros, sua marca. Lá do alto, veem-se os prédios de Downtown no horizonte e, abaixo, a esplanada e edifícios do complexo. É programa de um dia inteiro, bacana para ir com crianças. Essencial: use protetor solar, beba água e, de preferência, vá de tênis.

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Nos meses quentes, o movimento também é forte na Vieux-Montréal, região antiga da cidade. Turistas e artistas de rua tomam a charmosa Rue Saint-Paul e a Place Jacques-Cartier, ladeira de pedestres. Em Downtown, ferve o miolinho da Rue Sainte-Catherine. A rua vai de leste a oeste, em 15 quilômetros, porém no centro reúne grandes lojas e shoppings como o Eaton Centre. Com 32 quilômetros, o Réso, caminho subterrâneo bem útil no inverno, interliga centros comerciais, oito estações de metrô e nove grandes hotéis.

A região central oferece muitos museus. Todo interativo, o Grèvin, museu de cera originalmente da França, abriu no Eaton Centre em 2013. Na Rue Sherbrooke, paralela à Sainte-Catherine, estão o Musée des Beaux-Arts, com exposições de arte, e o McCord, sobre a história do Canadá. A caminhada pela Sainte-Catherine leva ao Musée d'Art Contemporain, ponto ao lado da Place des Festivals para quem gosta de arte contemporânea.

Na fonte. A Place des Festivals é o espaço público de Montréal dedicado a eventos. Nos dias quentes, as crianças se refrescam brincando na água dos 235 jatos da fonte. A praça está no Quartier des Spectacles, um quilômetro quadrado de efervescência com cerca de 80 pontos de cultura e entretenimento.Os festivais brotam toda semana no verão de Montreal. Em vários pontos. O finzinho da Rue Sainte-Catherine, no Village, bairro gay, vira exclusividade de pedestres entre as ruas Saint-Hubert e Papineau. No Aires Libres, de 30 de abril a 7 de setembro, o trecho ganha decoração especial e tem apresentações de música e arte.

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O Parc Jean-Drapeau também é sacudido pelo calor. Aliás, tudo acontece nesse parque, que se destaca no horizonte pela grande esfera do Biosphère, museu do meio ambiente. Entre outros eventos, rola o L'International des Feux Loto-Québec. Equipes de vários países concorrem ao título de melhor espetáculo de fogos, disparados no La Ronde, parque de diversão aberto no calor na Île Sainte-Hélène, uma das duas que formam o Jean-Drapeau.

A outra é a Île Notre-Dame, do cassino e do circuito de Fórmula 1 Gilles-Villeneuve. Fora da competição - que começa na sexta-feira e vai até domingo, 5 a 7 de junho - ciclistas e patinadores tomam a pista de 4.361 quilômetros.

Depois de tamanha andança e comilança, relaxe no pôr-do-sol na Plage de l'Horloge, a praia armada todo verão perto do relógio no Vieux-Port, o antigo porto. Ou faça um passeio de barco. O sol cai atrás da cidade.

 

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