Vida em poesia

As palavras fogem na tentativa de descrever a Sicília. Correm todas, rolam rápidas como os limões que me vêm à cabeça. Casinhas com quintais de terra e limoeiros ao fundo. Limões amarelos, grandes como não se encontra por aqui. Limões nos morros, nas encostas. Altas montanhas de pedra e capim dourado, vencidas por temerosas estradinhas em ziguezague, que recompensam a coragem com o azul do mar.

ARYANE CARARO / ERICE, O Estado de S.Paulo

20 Março 2012 | 03h09

Lá longe, embaixo, a cidade litorânea, quente, úmida e com praia de areia cinza. Aqui no alto, o vento, um sopro forte e frio para fazer dançar as roupas nas janelas. Em sacadas aqui e acolá ensaiam também bandeiras em verde, vermelho e branco. Colorem vielas estreitas, de casinhas com flores nas janelas e chão de pedra escorregadia. Às vezes vigiadas por cavaleiros de madeira, marionetes de fio que contam suas glórias aos mentirosos Pinóquios pendurados ao lado. São lojas de souvenirs, onde há cerâmica, madeira e vinhos. Longe dos turistas, uma gritaria. Confusão coisa nenhuma, que é assim mesmo que os sicilianos falam quando estão só batendo um papo.

Adjetivos, poderia caçar vários. Mas talvez o que melhor sintetize a Sicília seja dizer que ela é uma ilha bem italiana, autêntica no sotaque, no coração e na tradição. Dessa italiana matrona, como as que vieram parar no Brasil. Dessa italiana ardilosa, mafiosa, que gesticula. Dessa italiana que conta histórias de deuses, romanos que se misturaram aos gregos - ali na Sicília os helênicos foram grandes e foram fortes, e construíram vários de seus templos. Dessa italiana que acolhe, fala alto, briga, mas que embala e protege. Uma Itália com tempero regional, menos globalizada. Aquela que faz você se sentir em casa e perder a vontade de ir embora.

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