Vida livre de impostos, mas com preços altos

Conta-se em Cayman que, em 1794, um comboio de dez navios britânicos bateu em um coral logo após deixar a Jamaica, rumo à Inglaterra - algo como um megaengavetamento em alto-mar. O acidente foi perto da costa de East End, em Grand Cayman, e os ilhéus não mediram esforços para salvar os náufragos, dando-lhes casa e comida. O Rei George III da Inglaterra, cujo filho era um dos passageiros, ficou tão agradecido que determinou: este povo está livre das taxas!

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h11

Documento algum jamais provou a determinação real, mas o acidente aconteceu mesmo. O fato é que em Cayman nunca houve imposto sobre renda, empresa, herança, ganho de capital ou propriedade. Por outro lado, há um sistema de tributação indireta baseada no consumo e impostos embutidos em tudo, já que a ilha não produz nada - tudo é importado. Menos a Caybrew (que, ainda assim, custa o equivalente a R$ 16).

A partir da década de 1960, Cayman passou a fazer propaganda do que eles chamam de "neutralidade fiscal", atraindo investimentos estrangeiros, responsáveis por boa parte da riqueza da ilha. Como neutralidade virou sinônimo de paraíso e esquema de evasão de divisas, a ilha vem investindo em campanhas contra a lavagem de dinheiro.

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