Divulgação/South African Tourism
Divulgação/South African Tourism

Vida selvagem

O despertar é em plena madrugada e o percurso, decidido na hora. Tudo para garantir o encontro dos turistas com os 'big five' - verdadeiros donos do pedaço no Pilanesberg Park

Bruna Tiussu,

13 Setembro 2011 | 04h00

SUN CITY - Quando o despertador toca às 5 horas da manhã, você pensa em desistir. As estrelas ainda brilham naquela imensa escuridão e o frio exige poderosas camadas de casacos - que podem não dar conta do vento cortante. Difícil acordar totalmente.

 

Mais difícil ainda é se convencer de que, em pleno inverno, aquele é mesmo o melhor horário para avistar os cobiçados big five - leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte - perambulando pela savana africana.

 

O jeito é acreditar no guia (que, de bermudas, parece não estar no mesmo ambiente que você) e se acomodar no jipe que oferece um poncho para cada passageiro, para aliviar a baixa sensação térmica. O destino é o Pilanesberg Park, reserva que fica pertinho de Sun City e a 2h30 de carro de Johannesburgo. Mas o roteiro a ser percorrido por entre seus 57 mil hectares só é determinado na hora.

 

Tudo depende da localização das principais atrações, por assim dizer. Pelo rádio, o guia é orientado sobre as áreas onde os leões, elefantes, búfalos, leopardos e rinocerontes já foram vistos naquela manhã que preguiçosamente se abre.

 

No caminho, impossível não notar como é discreto o despertar na savana. A luz se amarela aos poucos, surgindo atrás das montanhas. Quando mais alta, aquela paisagem tipicamente africana se transforma em cenário: vegetação árida, com coloração verde-dourada, lagos, árvores e arbustos isolados sob um céu azulíssimo. Ouve-se o som dos pássaros, e nada mais.

 

Pouco tempo passa e, de repente, um grupo de girafas e zebras surge a alguns metros de distância. Talvez por serem os primeiros, a emoção é incomparável. Dá vontade de ficar ali, observando a fascinante pele listrada de branco e preto. Ou a girafa que coça o longo pescoço se esfregando em uma árvore. Mais adiante, é a vez de inúmeros impalas (da família dos veados) passarem saltitando na frente do jipe, em direção contrária aos gnus que se alimentam por ali.

 

 

Depois de mais de uma hora de passeio ainda há muito a ser visto. O Pilanesberg Park é lar de 220 elefantes, 60 leões, 50 hipopótamos, mais de 30 leopardos, e por aí vai. Rinocerontes são facilmente vistos, tanto que nem há como calcular o número exato dos que vivem no parque. Por outro lado, os búfalos são os mais raros na região.

 

Guia e passageiros não sossegam até o primeiro big five dar o ar da graça: é uma manada de elefantes cruzando a estrada, cheia de elegância. Andam tranquilamente enquanto uma fêmea alimenta seu filhote. Uma bela aparição, com pompa e capricho.

 

Gran finale. Além do safári da manhã, há outra saída diária, às 16 horas. Chance extra para procurar as espécies que se mantiveram escondidas. Naquela tarde, os rinocerontes apareceram, assim como hipopótamos, kudus, springboks (ambos também da família do veado), corujas, outras aves e mais zebras e girafas. Quando o fim do passeio se aproximava, todos os esforços se voltaram na busca pelo leão.

 

Já era noite, as esperanças se esvaíam, e eis que o rei da selva surge lado a lado com o jipe. Nitidamente dono do território, nem mesmo a luz da lanterna fazendo seus olhos brilharem o incomodava. O guia explica que ele procurava a sua leoa, por isso o rugido quase ensurdecedor e hipnotizante que soltou ali - o som pode ser ouvido a até seis quilômetros de distância.

 

Não tardou para a resposta chegar. Outro rugido, agora vindo lá de longe, fez com que ele desse meia-volta, cruzasse na frente do carro e seguisse ao encontro da família. Final perfeito para a excursão.

 

Deixamos o parque sem avistar leopardos e búfalos, é verdade. Neste jogo que remete ao esconde-esconde - por isso um safári é chamado de game -, eles foram mais espertos. Também não dá para ganhar todas.

 

 

Saiba mais

 

Aéreo: São Paulo- Johannesburgo-São Paulo desde R$ 1.939 na South African (flysaa.com), voo direto; e R$ 2.917 na Air France (airfrance.com.br), com conexão

Vacina: a de febre amarela é obrigatória, a ser tomada dez dias antes do embarque

Melhor época: na primavera (setembro a novembro) é mais fácil ver os animais

Pacotes: blogs.estadao.com.br/viagem

 

 

O que levar

 

O básico: De dia, protetor solar e óculos de sol são fundamentais. À noite, repelente e casacos - dê preferência aos que têm capuz e protegem do vento

Extras: Como o clima é relativamente seco, é bom ter creme hidratante e garrafinha d’água na bolsa

Dinheiro: Compre rands logo que desembarcar - muitos locais não aceitam dólares

 

O que trazer

 

Artesanato: Há de todo tipo nos mercados e feirinhas de rua: máscaras e esculturas de madeira ou pedra, instrumentos musicais tipicamente africanos, tecidos pintados à mão, além de figuras coloridas

Vinho: Os pinotages se tornaram marca registrada da África do Sul. Mas o país, com mais de 6 mil vinícolas, produz vinhos de qualidade a partir de uvas variadas. Até mesmo no aeroporto os preços são bons

 

 

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