Edison Veiga/Estadão
Edison Veiga/Estadão

Viña del Mar: ondas a contemplar

"Quem pode convencer o mar para que seja razoável?”

Edison Veiga, VIÑA DEL MAR / O Estado de S.Paulo

13 Junho 2017 | 04h45

Basta tomar o metrô para, de Valparaíso, conhecer Viña del Mar – a cidade balneário fica na conurbação da portuária, a cerca de 30 minutos de trem. Sua orla, apinhada de hotéis, lembra a uruguaia Punta del Este. As praias e o cassino, inaugurado em 1929 e um dos poucos em funcionamento no Chile, fazem Viña ser considerada a capital turística do país.

Em meu caso, bastava ver o mar. Se Neruda era o poeta do mar, aquele que escrevia como se fosse um timoneiro, aquele que vivia em casas cheias de elementos marítimos, aquele que fazia-se de comandante mas sempre em terra firme – raras vezes navegava; sou o turista que mais ama o mar na teoria do que na prática. Em geral, a caminhada contemplativa na orla me basta. 

“Serão seios de sereias / as conchas dos caracóis? / Ou são ondas petrificadas / ou jogo imóvel da espuma?” Eu pensava no Livro das Perguntas, mas algumas pedras tinham rabiscos, tentativas de versos contemporâneos, almas de Nerudas que habitam nos chilenos? “Por que me perguntam as ondas / o mesmo que lhes pergunto? E por que batem na rocha / com tanto vão entusiasmo? / Não cansam de repetir / sua declaração à areia?/ E para que tantas rugas / e tanto buraco na rocha?”

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