Bruna Tiussu/ AE
Bruna Tiussu/ AE

Vinhos produzidos à moda francesa

Chardonnays e pinot noirs estrelam as degustações no vilarejo de Franschhoek, uma das principais áreas de cultivo do pais. Restaurantes de alta gastronomia completam o passeio

Bruna Tiussu,

13 Setembro 2011 | 15h14

CIDADE DO CABO - A viagem começa com o trânsito pesado que se mantém constante desde a saída da Cidade do Cabo até a rodovia. Com o passar do tempo, a panorâmica vai se transformando. Saem o movimento urbano, os carros nas vias largas, as fábricas, para entrar em cena os vinhedos que, alinhados e esbanjando folhas alaranjadas, ocupam as colinas cortadas pela estrada que passamos.

 

Apenas 50 quilômetros (cerca de uma hora de carro) separam a grande cidade de uma das principais áreas produtoras de vinho da África do Sul, onde fica o vilarejo de Franschhoek. Ocupada pelos protestantes franceses que fugiram do país natal nos idos do século 17 – Franschhoek quer dizer "o canto da França" –, a região logo se dividiu em fazendas com cultivo especialmente de videiras e oliveiras.

 

Hoje, o passeio por lá passa por uma visita turística (seguida de degustação) a uma destas propriedades. Fomos na Haute Cabrière (cabriere.co.za), que faz parte da história e cultura local há mais de 300 anos. O tour começa pelo prédio principal que, incrustado em um enorme rochedo, esconde lá dentro todas as estruturas necessárias para armazenar a bebida.

 

Nas últimas décadas, a casa se especializou em fabricar espumantes pelo método champenoise, além de refinados vinhos chardonnay e pinot noir. Alguns deles são oferecidos na degustação, que se inicia ao ar livre, com a guia segurando um espumante Brut Sauvage em uma mão e uma espada na outra. A garrafa enfim aberta pela maneira conhecida como "sabrage" inaugura a rodada de provas. Em seguida, novas taças, agora com um rosé, depois um chardonnay e logo um pinot noir.

 

A visita só se completa à mesa. A vinícola conta com agradável restaurante que é ótima opção para o almoço. Lá dentro, janelões de vidro permitem que você observe as barricas guardadas na cave enquanto saboreia um menu especial. E, claro, outra taça de um dos vinhos da casa.

 

Recanto gastronômico. Além das artimanhas para cultivar uvas e fabricar vinhos, a herança francesa fez com que Franschhoek desenvolvesse outro trunfo, o da gastronomia refinada. Consagrado como a capital gourmet sul-africana, não cansa de atrair turistas pelo paladar.

 

São inúmeros restaurantes premiados internacionalmente – e comandados por chefs de renome –, casas de chá, chocolaterias e cafés.

 

Os imbatíveis por unanimidade são os dois restaurantes do Hotel Le Quartier Français (lqf.co.za), que faz parte da cadeia Relais & Chateaux. Citados na 36.ª posição na lista deste ano dos melhores restaurantes do mundo da revista britânica Restaurant, tanto o The Tasting Room quanto o The Common Bar são comandados pela chef holandesa Margot Janse.

 

O primeiro só abre para jantares (é preciso reservar antes) e se dedica a pratos mais finos. Já o segundo serve exclusivos drinques, tapas e aperitivos em um ambiente mais informal e com decoração de bom gosto. Funciona no café da manhã, almoço e jantar.

 

Antes ou depois da refeição, uma volta pela rua principal do vilarejo, a Hughenot Road, reserva boas surpresas. Ali fica o Hugenoot Museum (museum.co.za), que conta as principais passagens sobre a formação do vilarejo, com fotos e vídeos. O lugar também funciona como centro de pesquisa genealógica. Completam a via, lojas – também com certa sofisticação – de artesanato, roupas e souvenirs em geral. Além da La Cotte Wine Shop, onde você já pode garantir suas garrafas dos melhores exemplares da região.

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