Hellen Meika Takehara/Arquivo pessoal
Hellen Meika Takehara/Arquivo pessoal

Visto de estudante dos Estados Unidos exige vacinação em dia

Para se matricular nos programas de intercâmbio do país, jovens precisam provar que foram imunizados

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 04h50

Em tempos de disseminação de informações falsas, recusa às vacinas e volta de incidência de doenças como sarampo, no Brasil e em vários outros países, uma notícia pode ajudar a convencer famílias da importância da imunização: adolescentes brasileiros que não receberam todas as doses na infância são obrigados a atualizar a carteira de vacinação para fazer intercâmbio nos Estados Unidos. O país da América do Norte exige que as doses estejam em dia para emitir o visto de estudante

Na semana passada, dia 14, o Brasil encerrou mais uma campanha nacional de vacinação contra sarampo e poliomielite depois de o Ministério da Saúde ter prorrogado o período de imunização para tentar reverter a baixa adesão às vacinas. Depois de duas semanas extras, o País atingiu a meta de 95% de crianças de 1 a 5 anos vacinadas. 

“As escolas nos Estados Unidos exigem dos estudantes estrangeiros várias vacinas específicas”, disse a coordenadora de produtos da CI Intercâmbio e Viagem, Bruna Siqueira. Sem a comprovação de que o aluno tomou todas as doses, o formulário de solicitação do visto não é encaminhado ao consulado.

Hellen Meika Takehara, de 17 anos, teve de correr para atualizar as vacinas durante o processo de inscrição para a high school (ensino médio) na cidade de Navasota, no Texas, no começo deste ano. “Começou a pensar em intercâmbio, corra para conferir a carteira de vacinação”, disse a mãe da estudante, Regina Lie Nakano, de 46 anos. “Minha filha chegou a ter de tomar cinco vacinas em um dia só.”

A falta de vacinas de Hellen foi por “esquecimento da mãe, correria da vida”, não por convicção antivacina, disse Regina. Como consequência, a família gastou mais com a viagem.

“A passagem foi comprada apenas uma semana antes do embarque”, disse a mãe. 

Os Estados Unidos exigem sete vacinas dos intercambistas, segundo a Experimento Intercâmbio e, em alguns casos, o teste contra tuberculose. Escolas podem ainda exigir algumas vacinas extras.

Veja a lista de vacinas exigidas nos Estados Unidos e onde tomá-las

- Pólio: 4 doses, a última com idade acima dos 4 anos. Tem no posto público de saúde

 

- DTP: 4 doses, a última acima dos 4 anos, reforço nos últimos dez anos. Posto público

 

- Tríplice viral: 2 doses. Posto público de saúde

 

- Varicela (a catapora): 2 doses. Posto público de saúde 

 

- BCG: 1 dose (posto público). Quem não tomou deve fazer teste cutâneo de tuberculose (rede privada)

 

- Hepatite A: 2 doses, posto público de saúde

 

- Hepatite B: 3 doses, posto público de saúde

 

- Meningite: algumas escolas pedem. O calendário público de vacinação do Brasil prevê as vacinas pentavalente e pneumocócia 10 valente para crianças, que imunizam contra meningite; e pneumocócica 23 valente para adolescentes de 10 a 19 anos. 

Outros destinos de intercâmbio

Segundo a Experimento, outros destinos de intercâmbio, como Canadá, Europa, Oceania e Argentina, embora sejam mais flexíveis, também cobram algumas imunizações. Veja algumas exigências.

- Canadá: pede as mesmas vacinas que os Estados Unidos. "Vacinas como influenza e HPV podem ser solicitadas para que o estudante possa iniciar o ano letivo na escola", informa Bruna Siqueira, da CI. 

Austrália: a vacina mais importante para embarque para esse país é contra febre amarela, que deve ser tomada na versão dose completa (não fracionada), com validade ilimitada.

Europa: a indicação geral dada por Bruna Siqueira, da CI, é hepatite B, tétano e difteria, encefalite transmitida por carrapatos para o norte do continente; hepatites A e B, tétano e difteria, febre tifoide, poliomielite, infecções meningocócicas, raiva, encefalite transmitida por carrapatos para o sul.

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