Discover Dominica Authority
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Você sabe quais são os países menos visitados de cada continente?

Embora pouco conhecidos, acredite: pode haver bons motivos para conhecê-los

Levy Teles, Especial para o Estado

01 de março de 2020 | 06h00

Aproveitar o paraíso dos vinhos, conhecer a ilha perfumada, visitar o Recife do Champagne são atividades que você fazer em… Moldávia, Comores e Dominica. É possível que você nem sequer já tenha ouvido falar em qualquer um desses países, mas eles são os menos visitados de seus respectivos continentes - o que não quer dizer que eles não tenham seu charme e valor turístico.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) produz um relatório anual sobre o turismo no mundo, o UNWTO International Tourism Highlights (Panorama do Turismo Internacional da OMT), que mostra dados relativos aos anos entre 187 territórios do globo. O relatório de 2019 cobre os dados entre 2010 e 2017, com números provisórios para 2018 de países e territórios não reconhecidos como países pela ONU. Dados sobre 29 outras regiões não estão disponíveis. 

Nossa lista levou em conta apenas países entre os 193 reconhecidos pelas Nações Unidas. Confira os menos visitados de cada continente:

Europa - Moldávia

Quando se pensa em vinho e Europa, a associação comum é para Portugal, Itália, França. Mas na Moldávia - país localizado no leste europeu e vizinho da Romênia e Ucrânia - se tem até feriado nacional para a bebida. O Dia Nacional do Vinho é celebrado em 5 e 6 de outubro.

Durante o dia, 68 produtores deixam seus vinhos para consumo e revelam novos produtos. Há festas com música na capital do país, Chișinău; é possível experimentar as comidas tradicionais moldávias na área próxima ao Arco do Triunfo (sim, aqui também tem um); há uma área de relaxamento em que dá para apreciar quartetos de cordas. Há também aulas especiais com sommeliers oferecidas pela Escola do Vinho.

Se você acha que dois dias dedicados à bebida não são os suficientes, a visita à adega subterrânea do Mileștii Mici é obrigatória. O lugar, que fica 85 metros abaixo da terra, está no Livro dos Recordes por guardar mais de duas milhões garrafas de vinho - alguns deles datam de 1968. As galerias têm mais de 200km de comprimento. A visita básica custa 11 euros em períodos regulares e 16 euros quando feita à noite e nos fins de semana. Outra opção é a Cricova, com túneis subterrâneos um pouco menores em comprimento: 120km.

E se você gosta de lugares diferentes, a Transnístria é indispensável. Situada ao norte do país, na fronteira com a Ucrânia, a região declarou independência da Moldávia em 1990, mas nenhum país da Organização das Nações Unidas a reconhece. A Transnístria possui congresso, exército, moeda e passaporte (ainda que não seja de muito valor) próprios. O lugar ainda guarda muito da herança soviética - como a cor vermelha e a foice e o martelo característicos da União Soviética, presentes até hoje na bandeira. 

Há opção de tour pelo país e há um ônibus que liga a capital da Moldávia, Chișinău, até a capital da Transnístria, Tiraspol.

A Moldávia ainda está fora do radar para quem visita a Europa, mas o turismo cresce. Em 2017, 145 mil pessoas visitaram a Moldávia, um aumento de aproximadamente 225% em relação aos números de 2010.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Moldávia, sendo necessário fazer escala na Alemanha ou França.

Visto: até 90 dias, não é necessário. 

Onde ficar: Lenin Street Hostel & Tours, Hotel Russia, TiraspolRadisson Blu Leogrand HotelCity Park Hotel

Ásia - Timor-Leste

Não dá para pensar em outro país que lembre mais o Brasil no continente asiático que Timor-Leste. É uma das duas nações do Sudeste Asiático que tem maioria cristã (a outra são as Filipinas) e tem o português como língua oficial. 

O nome não é lá dos mais criativos: “Timor” vem do malaio e quer dizer “leste”. O Leste, obviamente, vem do português. Pleonasmo bilíngue: a tradução para Timor Leste seria “Leste-Leste”. 

O mais novo país do século 21 (declarou independência da Indonésia em 2002) foi território português por séculos (passou por domínio indonésio após a saída dos portugueses) e herdou, além do idioma e religião, a arquitetura portuguesa, que pode remeter a alguns lugares do Brasil.

Um dos casos compartilhados com o país sul-americano é um dos principais pontos turísticos: o Cristo Rei - uma estátua de 27 metros de altura que representa Jesus. Cristo foi colocado sobre o globo terrestre observando o oceano. A estátua se encontra bem próxima da cidade de Díli, capital do país, na península de Fatucama. Ela foi projetada por Mochamad Syalillilahn e inaugurada em 1996, sendo um presente do governo da Indonésia ao povo timorense.

Um dos grandes segredos do país é a paradisíaca Ilha de Jaco, uma ilha inabitada que só pode ser visitada apenas ao dia. Lá você poderá ver praias de areia branca, aves como o pombo-cuco-pardo e o assoviador-de-peito-creme e uma grande biodiversidade nas águas do mar próximas, que são repletas de corais. 

Em Díli, não dá para perder a chance de conhecer  a bela praia de Metinaro. Ainda dá para visitar o Museu da Resistência Timorense, que conta a história do  seu povo e a luta pela independência. Algumas igrejas na capital também resgatam a arquitetura portuguesa. Em Baucau, a 122 km da capital, dá para conhecer o Mercado Municipal, construção lusitana do começo do século 20. 

Em 2017, apenas 74 mil pessoas visitaram o jovem país, que completa 18 anos de independência em maio deste ano.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Timor-Leste, sendo necessário fazer escala na Austrália, Singapura ou Indonésia.

Visto: Para entrar no país é necessário passaporte de viagem e um visto de turista que será retirado no aeroporto de Díli, sendo válido por 30 dias renováveis. 

Onde ficar: Balibo Fort HotelBeachside Hotel DiliDiscovery Inn

África - Comores

Outro país jovem, Comores é um arquipélago de quatro grandes ilhas nascidas de atividade vulcânica: Gran Comore, onde fica a capital Moroni, Anjouan, Mohéli e Mayotte, região que nega ser parte de Comores e reivindica ser departamento ultramarino francês. 

O país africano declarou independência da França em 1974 e amargou anos de instabilidade política - foram mais de 20 golpes de Estado desde a separação com os franceses até hoje. Esse é um dos motivos que podem ter colaborado Comores a não ter recebido a atenção dos turistas, que costuma se direcionar para as ilhas vizinhas de Madagáscar, Maurício e Seychelles.

Comores produz 80% de toda a produção mundial de Ylang-Ylang, flor que é matéria-prima para o Chanel Nº 5, um dos perfumes mais caros do mundo. Por lá, há uma grande concentração de temperos aromáticos, sobretudo cravo e baunilha - o que lhe rendeu apelido de Ilhas Perfumadas.

Além do tour para conhecer os aromas e sabores do arquipélago, vale a pena conhecer a fauna do país, cheia de espécies endêmicas. É o caso do morcego frugívoro de Livingstone - sua asa pode alcançar a envergadura de um metro e meio - ou dos peixes celacantos, que eram acreditados de terem entrado em extinção até serem redescobertos na metade do século 20. No Parque Nacional de Mohéli, fundado em 2001, é possível conhecer alguns dos espécimes, além de tubarões e baleias.

Na ilha de Gran Comore é possível visitar o monte Karthala, principal vulcão ativo do país. Já em Anjouan é possível conhecer praias espetaculares com areia branca e água azul-turquesa. A circulação entre cada uma das ilhas é feita em voos curtos, que podem levar 25 minutos de duração.

O país possui uma grande diversidade de etnias já que foi uma rota importante de comércio antes da fundação do canal de Suez. Por lá passaram - e ficaram - comerciantes árabes, malaios e povos africanos. Em 2017, 28 mil pessoas visitaram Comores. 

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Comores, sendo necessário fazer escala na Tanzânia, Etiópia, Madagascar, Qatar, Moçambique ou Quênia.

Visto: Passaporte e tíquete de ida e volta são requeridos. Todos os viajantes a Comores ganhar um visto gratuito de 24 horas na chegada. No dia seguinte, os visitantes devem ir ao escritório de imigração em Moroni para mudar o status do visto. Uma taxa é cobrada, de acordo com a duração da estadia.

Onde ficar: Hotel Retaj MoroniMoifaka Studio Hotel, Mohéli Laka Lodge

Américas - Dominica

Conhecida como Ilhas da Natureza, Dominica é o ponto perfeito no Caribe para o ecoturismo. A maior parte de seu território é coberto por florestas tropicais e fauna única. Os apreciadores de aves lá podem conhecer o colorido papagaio-imperial - presente na bandeira do país - que pode ser visto no Parque Nacional de Morne Trois Pitons, principal dos parques de Dominica, tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997.

Um dos vários atrativos é o Lago Fervente, uma fumarola alagada localizada no Vale da Desolação. A difícil escalada no monte é recompensadora: o lago tem 60 metros de diâmetro e é de profundidade desconhecida. De cima do monte é possível ver as praias de Dominica e a ilha de Martinica. 

Se escalada não é a sua preferência, a dica é conhecer o Recife de Champagne, assim chamado por causa das bolhas que podem ser vistas ao submergir no local - consequência da atividade vulcânica embaixo da área. O recife garante uma vastidão de cores, e, se você tiver sorte, pode encontrar restos de um navio espanhol naufragado no século 17.

Se isso não é o suficiente, há spas naturais, inúmeras trilhas pelas vastas florestas, cachoeiras e tantas outras possibilidades num local que foi visitado por apenas 71 mil pessoas em 2017. 

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Dominica, sendo necessário fazer escala nos Estados Unidos e depois em Antígua e Barbuda, Barbados, Martinica, São Martinho, Porto Rico, Guadalupe ou Santa Lúcia.

Visto: Há a dispensa de visto por até 90 dias.

Onde ficar: Hotel The Champs, La Flamboyant HotelJungle Bay Hotel

Oceania - Tuvalu

Entre os países mencionados na lista, Tuvalu é o menos visitado. Somente duas mil pessoas visitaram o país em 2017, o que, curiosamente, corresponde a aproximadamente 20% da população do país (11.192 pessoas, de acordo com o censo de 2017). Um dos lugares mais remotos do mundo, Tuvalu é um conjunto de três e ilhas e seis atóis.  Em um dos atóis está a capital Funafuti.

Uma das principais fontes de renda para Tuvalu vem da internet. O país é dono do domínio .tv e comercializa os direitos de uso para que sites de streaming como a Twitch.tv. De acordo com o jornal The Washington Post, o país recebe cerca de 5 milhões de dólares por ano da empresa americana Verisign para que ela administre o domínio no mundo inteiro. O acordo foi feito em 2011 e tem fim previsto para 2021.

Tuvalu é um dos países mais ameaçados com o aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global. A situação desesperadora levou o país a estabelecer um acordo com a vizinha Nova Zelândia para que os moradores da pequena nação possam emigrar para lá.

E caso você deseja visitar a nação, não se assuste com o barulho de sirenes: o único aeroporto de Tuvalu, em Funafuti, usa do recurso para avisar moradores a sair da pista de pouso, já que o pequeno lugar é costumeiramente usado para outras atividades.

Em Tuvalu dá para aproveitar a beleza das praias, com a beleza típica das ilhas da Oceania, e conhecer mais da cultura e do povo, que, estima-se, chegou ao há dois mil anos. Como é pouco visitado, não há lugares para comprar souvenirs, mas uma boa opção é visitar o Centro de Artesanato Feminino. 

Tuvalu tem várias iniciativas de conscientização da população sobre as consequências do aquecimento global para não acabar por ver toda a história do lugar ser inundada pelo próprio mar.

Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Tuvalu, sendo necessário fazer escala em Fiji ou Kiribati.

Visto: Há a dispensa de visto por até 90 dias.

Onde ficar: Afelita Island ResortFakasagi Lodge

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