Volta ao passado nas ruas de um patrimônio

Uma cidadezinha cheia de graça, com 25 mil habitantes, aconchegante e historicamente riquíssima. Casas de pedra e barro, paredes ladrilhadas e ruas de paralelepípedo, às margens do Rio da Prata. Colônia do Sacramento, declarada Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco em 1995, não precisa se esforçar para ser encantadora.

COLÔNIA DO SACRAMENTO, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2012 | 03h08

São apenas 177 quilômetros desde Montevidéu - de ônibus, o trajeto leva em torno de três horas. Agências de turismo locais oferecem tours de um dia, com guia, por cerca de US$ 75 por pessoa. O passeio também pode ser feito a partir de Buenos Aires - de barco, o percurso leva apenas uma hora.

Colônia nos leva a uma viagem no tempo. Fundada pelos portugueses no século 17, foi o primeiro assentamento uruguaio, centro de batalhas entre a coroa de Portugal e da Espanha (que dominou todo o Uruguai) por quase cem anos. No fim, os espanhóis ficaram com o território, mas a influência das duas culturas pode ser observada até hoje.

As construções de pedra com telhados de duas e quatro águas são típicas da época colonial portuguesa. As casas de tijolo e os telhados de açoteia (terraços) clássicos são originários da arquitetura espanhola. A variação de estilos torna o local ainda mais charmoso.

Caminhe entre as simpáticas casinhas do bairro histórico até a Porta da Cidadela, o ponto mais visitado. Restaurada e conservada, remonta aos tempos das batalhas, em que a cidade era cercada por muros e fortificações. A Praça 25 de Mayo, na mesma área, abriga edifícios como a Casa de Nacarello (moradia do século 18 que mostra como vivia uma família da colônia portuguesa), o Museu Municipal, o Museu Histórico e o Farol. Aliás, vale a pena conferir os museus da cidade, que trazem detalhes da história de Colônia - o ingresso único, que permite a entrada em todos, custa cerca de R$ 5.

A Basílica do Santíssimo Sacramento e a Praça dos Touros de São Carlos, de traços similares ao Coliseu de Roma, são pontos obrigatórios. A arena dos touros só pode ser admirada de fora, porque, de acordo com as autoridades locais, corre risco de desabamento.

Carros antigos, muitos deles da metade do século passado, circulam tranquilamente na cidade, reforçando o clima retrô. Alguns exibem ótimo estado de conservação - outros, nem tanto.

Assim como Montevidéu, Colônia também tem sua rambla, ampla avenida à beira do Rio da Prata em que é possível aproveitar a brisa nos dias ensolarados, fazer caminhada, gastar algum tempo conversando ou, simplesmente, admirando a paisagem. Num dia claro, é possível até enxergar prédios de Buenos Aires.

Sem pressa. De certa forma, Colônia tem um quê de Paraty. As ruas estreitas de paralelepípedo, o casario, o litoral... Um dia é suficiente para visitar os principais pontos da cidade, mas há quem queira aproveitar o clima pacífico para descansar e usufruir do belo visual. As opções de hospedagem são as mais variadas, com pousadinhas charmosas e grandes hotéis de rede, como Sheraton e Radisson. Espere encontrar bons apartamentos por a partir de R$ 150 o casal.

Não faltam também bons restaurantes típicos, normalmente com mesas de madeira e ambientes que lembram os tempos antigos. A carne, como era de se esperar, é de excelente qualidade. Mas, caso esteja farto de tanto churrasco, os pescados e as massas não deixam a desejar. Por R$ 100, um casal faz uma boa refeição, com pratos bem servidos e vinho para acompanhar. /E.M.

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