Voluntários em uma vila como antigamente

Copenhague e Oslo serão sempre paradas indispensáveis. Mas é no interior da Dinamarca e da Noruega que o espírito viking está mais presente e permeia algumas das mais exuberantes paisagens da Europa.

Roberto Lameirinhas/ RIBE, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h11

Um passeio pelos dois países desfaz uma série de mitos sobre os vikings. A chamada "era viking" existiu num período de tempo breve em termos históricos, que não chegou a 200 anos entre os séculos 9º e 11. Os vikings nunca usaram elmos com chifres - pelo menos nenhum exemplar foi descoberto entre as relíquias encontradas pelas escavações dos arqueólogos. E as tribos de exploradores que ficaram conhecidas como vikings eram formadas por comerciantes e guerreiros, mas não assassinos cruéis e selvagens.

Muitos desses mitos acabaram perpetuados pelas óperas de Richard Wagner em meados do século 19. A figura vinculada à barbárie também foi alimentada ao longo da história pela Igreja Católica, que enfrentou, armada, as tribos pagãs nórdicas com o objetivo de catequizá-las.

Centro cultural. Na Dinamarca, o local mais adequado para se conhecer os hábitos dessa cultura é o Viking Center, na cidade de Ribe, a mais antiga do país, fundada há 1.300 anos.

O centro está instalado em área similar à de uma grande fazenda, onde mais de uma centena de empregados fixos e cerca de 900 voluntários vivem exatamente como os vikings faziam no passado.

Sob os olhares dos turistas, eles cuidam do gado, preparam comida, malham o ferro com foles e fornalhas, treinam arco e flecha, promovem encontros rituais, tocam instrumentos antigos e fazem tudo o que os habitantes dessas tribos faziam, abrindo mão de qualquer item moderno, como eletricidade ou máquinas sofisticadas.

"Eu sou verdadeiramente uma viking e, quando estou aqui, me sinto em casa", diz a islandesa Gudrun Gotved. "Posso ser eu mesma". Voluntária no centro, onde deve passar seis meses, ela assume o papel de uma espécie de sacerdotisa pagã. Cada voluntário ganha o equivalente a 15 a título de ajuda de custo. São, na maioria, estudantes estrangeiros.

O centro promove sessões de simulações de combates entre vikings e cristãos, nas quais os sons das espadas e das lanças batendo contra os escudos dão mais realismo à encenação. Os vencedores das batalhas não são os mesmos em todas as sessões. Dependendo da performance dos combatentes, o triunfo pende ora para um lado, ora para outro.

Mais conteúdo sobre:
Dinamarca Noruega interior vikings

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.