Vulcão deixa turistas em alerta

Erupção do Chaitén, no começo de maio, pode atrapalhar a temporada de esqui em Bariloche

Adriana Moreira e Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2008 | 03h16

O início das atividades do Vulcão Chaitén, no sul do Chile, no começo de maio, não prejudicou apenas os moradores daquela região. Diversos vôos para a Patagônia argentina e chilena tiveram de ser cancelados na semana passada por causa das cinzas em suspensão na altitude dos aviões. Até mesmo Bariloche, a estação de esqui preferida dos brasileiros, teve o aeroporto fechado. A advogada Sofia Machado Rezende, de 33 anos, foi uma das vítimas dos cancelamentos. Em viagem de férias com o namorado, decidiu seguir para Buenos Aires e, de lá, comprar um pacote para a Patagônia. Por causa da impossibilidade de voar para a região, ela optou por Bariloche, cujo aeroporto, segundo a agência, estaria funcionando normalmente. "Fomos para o aeroporto de Buenos Aires no dia seguinte e o vôo tinha sido cancelado", lembra Sofia. "Já estava tudo pago." O casal voltou à agência e trocou o pacote para Salta, no norte argentino - US$ 100 mais barato. A agência informou que a Aerolíneas Argentinas faria o reembolso da diferença do valor da passagem, mas no escritório da Aerolíneas, eles foram orientados a voltar para a agência. Depois de ir e vir entre os dois escritórios, o casal retornou ao Brasil - até agora, sem ser ressarcido. A assessoria de imprensa da Aerolíneas não respondeu à reportagem. TEMPORADA A preocupação agora é que os humores do Chaitén atrapalhem a temporada de esqui em Bariloche. Algumas operadoras, como a Fênix, já criaram um "plano B" caso o problema se estenda até o início de seus vôos fretados para Bariloche, no dia 21. "Os aviões poderão pousar em aeroportos próximos e os clientes farão o resto do percurso de ônibus", explica o gerente da empresa, Daniel Gil. "Não existe a possibilidade de não voar." Outra empresa que está preocupada é a curitibana New Line. "Argentina e Chile são nossos principais produtos", afirma o gerente de Operações, Alexandre Ferraz. Semana passada, um grupo de 15 clientes da empresa foi surpreendido com o cancelamento dos vôos. A solução foi levar os turistas de ônibus até Chapelco, a 230 quilômetros de Bariloche. Segundo Ferraz, a mesma solução será adotada durante a alta temporada, caso o problema se estenda aos próximos meses. Quem viaja por conta própria e tiver problemas para ir a Bariloche também pode tentar transferir o vôo para Chapelco - a Aerolíneas Argentinas voa para o destino. Uma alternativa é seguir até Bariloche de ônibus, a partir de Buenos Aires. Nesse caso, porém, são cerca de 22 horas de viagem. PREVISÕES O Instituto Nacional de Promoção Turística da Argentina (Inprotur) minimiza o problema e, em nota, afirma que "a situação na região está evoluindo muito favoravelmente e que em algumas semanas tudo estará normalizado". Segundo o órgão, as chuvas e as nevadas próprias da estação devem colaborar para a normalização da operação dos aeroportos. De acordo com um informe do Serviço Nacional de Geologia e Minério do Chile (Sernageomin), a atividade do vulcão vem diminuindo progressivamente, mas não é possível descartar futuras erupções.

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