Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Vulcões e natureza embelezam arredores de Quito, no Equador

Prepare-se para caminhadas em altitudes consideráveis e para paisagens espetaculares ao percorrer a Avenida dos Vulcões

Felipe Mortara, Especial para O Estado

09 de abril de 2019 | 04h30

Nem só de patrimônio colonial é feita uma visita à capital do Equador. Não é preciso ir longe para vivenciar a diversidade de paisagens que envolve Quito. Quase uma centena de vulcões ativos e inativos pululam ao redor e contrastam com florestas serranas que lembram nossa Mata Atlântica. Uma ou duas horas de carro para um lado ou para o outro levam a horizontes que parecem estar a centenas de quilômetros. 

Os vulcões são o carro-chefe do turismo de aventura no Equador. Prepare-se para caminhadas em altitudes consideráveis com vistas extraordinárias de picos nevados e crateras esfumaçadas. Ou para nada disso. 

O Quilotoa é um vulcão com uma espetacular lagoa alagada em sua cratera. Os tons de verde variam de musgo a turquesa numa paisagem surreal. Localizado a 180 quilômetros a sudoeste de Quito, rende mais do que um bate-volta. Como a estrada é estreita e sinuosa, leva-se 4 horas até lá. Voltar para a capital no mesmo dia (como fiz) será exaustivo. 

Não siga meu exemplo e invista em uma visita sem pressa. A principal atividade ali é caminhar – mas lentamente, já que estamos a 3.900 metros de altitude. É possível dar a volta por cima ou por baixo da lagoa, dependendo do seu pique. Quem não aguentar a subida de cerca de 600 metros verticais ao longo de 1h30 pode pagar alguns dólares e subir no lombo de uma (pobre) mula. A estrutura de hospedagens simples e restaurantes ao redor da lagoa é razoável e não é má ideia pernoitar por lá.

Se você é do tipo que não se cansa fácil, pode começar se preparando no alto do TelefériQo, em Quito. Quem pretende subir até o cume do Vulcão Cotopaxi (5.897) faz uma caminhada de 4 quilômetros (com guia) até o topo da cratera de Rucu Pichincha, a três horas da estação do bondinho e a 4.680 metros de altitude. O Cotopaxi é uma empreitada mais complexa, com botas de neve e roupas especiais. Agências como a Cotopaxi Climbing cobram desde US$ 280 (R$ 1.060) por pessoa para um tour de dois dias com pernoite na base e ataque ao cume pela manhã. 

 

CALMARIA E ORQUÍDEAS

É possível que você, leitor brasileiro acostumado às nossas florestas tropicais úmidas e densas, não se importe muito. Mas a Reserva El Pahuma, 2h a noroeste de Quito, é uma joia natural. Com mais de 300 espécies de orquídeas, trata-se de um dos maiores viveiros naturais da flor. A infraestrutura é simples, mas bem conservada. 

Quatro circuitos autoguiados cobrem uma parte pequena do parque, mas recomendo ir com guia – até porque os olhos atentos apontarão detalhes onde você verá apenas “muito verde”. Assim, é possível caminhar por percursos que variam de 20 minutos a 2 horas, com destino a cachoeiras e mirantes. Numa delas, com 20 metros de altura, é possível praticar rapel. A rocha pouco inclinada é ideal para iniciantes. Sortudos podem avistar o raro e inofensivo urso-de-óculos.

A 70 quilômetros ao sul de Quito, a vila de Machachi, aos pés do Cotopaxi, é ideal para descansar ao fim da viagem. Sob o poético nome de Hacienda El Porvenir (algo como Fazenda O Futuro), a propriedade rural de 1913 recebe hóspedes em apartamentos simples e aconchegantes. A comida caseira e o clima de vida no campo fazem valer a visita. Diárias a partir de US$ 98; tierradevolcan.com

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