Clayton de Souza/Estadão
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'Welcome to USA?'

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Ricardo Freire, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2017 | 04h30

Quando Barack Obama disse “Você é o cara” para Lula, em 2009, o Brasil já tinha se estabelecido como o emissor dos turistas mais desejados pelos outlets da Flórida. Em janeiro de 2012, Obama assinaria uma ordem executiva – sim, igual a essas de Trump – em que decretava que os consulados americanos no Brasil (e na China) precisavam aumentar em 40% a sua capacidade de processamento de vistos de turistas. O anúncio foi feito (onde mais?) na Disney. A canetada de Obama criou os Centros de Atendimento a Solicitantes de Visto (CASV), com expediente até nos fins de semana. Jovens, idosos e solicitantes de renovação de visto vencido há até 48 meses passaram a ser dispensados de passar por entrevista com um oficial consular. 

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No ocaso da gestão Obama, porém, a lua de mel já tinha esfriado. Por conta da nossa crise econômica – e do aumento da suspeição de imigração ilegal – o porcentual de vistos negados pelos consulados americanos no Brasil em 2016 passou de 5% para 15%. (Os outlets da Flórida, no entanto, continuam nos estendendo o tapete vermelho.)

Semana retrasada, a estrondosa ordem executiva de Donald Trump que baniu a entrada de viajantes provenientes de sete países (todos de maioria muçulmana) colocou uma pedrinha no sapato de viajantes brasileiros. Escondida no meio do texto, a seção 8 decreta a ‘suspensão do programa de isenção de entrevistas’. Anunciado no fim de uma tarde de sexta-feira, o decreto de Trump parecia complicar a vida de todos os que quisessem renovar seus vistos de turismo, negócios ou estudos.

Felizmente, a medida continha salvaguardas, previstas na seção 222 do Immigration and Nationality Act. Decifrada apenas na segunda-feira seguinte, essa seção garante a isenção de entrevista aos portadores de visto vencido há até 12 meses, desde que renovado na mesma categoria. Ufa. No fim das contas, o público brasileiro prejudicado pela medida foi pequeno: jovens de 14 e 15 anos, idosos de 66 a 79 anos e solicitantes que tenham deixado o visto ficar vencido há mais de 12 meses, que eram dispensados e agora serão obrigados a passar por entrevista consular. 

Mesmo com aumento tão pequeno de restrições, a impressão que ficou foi a de que os Estados Unidos passaram a dificultar muito mais a entrada de brasileiros. Não é verdade, mas é isso que o tom e a linguagem corporal do novo presidente dão a entender. Caberá aos consulados no Brasil e aos agentes de imigração nos aeroportos americanos, no dia a dia, nos convencer de que continuamos bem-vindos aos Estados Unidos.

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