Justa Jeskova/Tourism Whistler
Justa Jeskova/Tourism Whistler

Na estação de esqui de Whistler, um mundo de possibilidades no gelo

Iniciantes e iniciados nos esportes de neve se divertem na estação, que tem atrações como a gôndola mais alta do mundo e ótimos restaurantes

Nathalia Molina, Especial para o Estado

05 de janeiro de 2020 | 06h50

A janela na quina do restaurante paira sobre a imensidão branca. O banco na ponta da gôndola se debruça sobre a floresta nevada. Um pensamento recorrente acompanha o passar dos dias: como são bonitas as montanhas de Whistler. E de tantos ângulos. Chega a ser um disparate pensar que, no destino famoso por ter a maior área esquiável da América do Norte (8.171 acres), praticar esportes de neve é só mais um programa possível. Mas é fato.

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Umas das experiências mais impressionantes dessa viagem pela província de British Columbia é o passeio na Peak 2 Peak. A gôndola conecta as montanhas Whistler (1.530 metros) e Blackcomb (1.609 metros), escancarando a paisagem formada por picos, rios, geleiras e lagos. Apenas 11 minutos de percurso foram suficientes para a atração entrar para o Guinness Book como a gôndola mais alta do mundo (a 436 metros) e a mais longa ligação sem suporte entre dois cumes (por 3,024 quilômetros).

Ao longo de uma extensão total de 4,4 quilômetros, a Peak 2 Peak flutua de uma montanha à outra. A junção dos dois nomes batiza a estação de esqui local: Whistler Blackcomb. Desde 2016, o centro canadense de esportes de montanha pertence ao grupo americano Vail Resorts, que vem investindo em melhorias, especialmente nos 39 meios de elevação. A partir de Upper Village, desde o inverno passado, parte rumo ao topo de Blackcomb a nova gôndola com capacidade para até dez pessoas.

Quem não esquia tampouco pratica snowboard pode comprar um ingresso de city tour na estação para viver esse momento inesquecível na Peak 2 Peak. Memorável também é a aula de esqui para principiante. O incentivo dos professores faz qualquer um acreditar que pode ficar em pé, ainda que caia minutos depois na neve. Tente. Com cautela, mas tente. Seguindo as instruções na aula para iniciante ou expert, alguma das 200 pistas da estação há de servir para se divertir.

Além do esqui

O mundo de possibilidades no gelo de Whistler não para por aí. Tem ainda passeios em moto de neve, voltinhas de trenó puxados por cães, descidas de boia e tirolesa. No parque da Olimpíada de Inverno de 2010, realizada entre Vancouver e Whistler, há cerca de 90 quilômetros de pistas de esqui cross-country, 30 quilômetros para tours de snowshoeing e uma área para descida de tobogã (prancha e capacete são emprestados conforme disponibilidade).

Todo inverno a Whistler Olympic Plaza ganha uma pista de patinação gratuita. Até março, é possível se divertir deslizando (ou, ao menos, tentando) na praça ao ar livre; há onde alugar os patins.

Grande parte do charme de Whistler está no fato de ser um vilarejo, e não apenas uma estação de esqui. Tem um centrinho com ruas de pedestres (Village Stroll), cerca de 200 restaurantes, bares e cafés, um spa escandinavo com piscinas aquecidas ao ar livre, em torno de duas centenas de lojas e até bons museus. Some-se a isso o fácil acesso a partir de Vancouver e a qualidade do serviço encontrada num destino tão pequenino.

Novidades

As novidades aparecem a cada temporada. Nesta, a principal é a Vallea Lumina (a partir de 29,99 dólares canadenses ou R$ 92), experiência multimídia com luz, som, vídeo e cenografia. A caminhada pela floresta à noite convida o viajante a interagir com o ambiente, tocando e explorando a seu redor. 

Original da estação americana de Breckenridge, a Rocky Mountain Underground é outra estreante no inverno de Whistler. Mais do que uma loja de roupas e acessórios para adoradores de esportes de montanha, ela funciona como um café durante o dia e se transforma num bar com vinho e drinques no après-ski. A localização é estratégica. Fica em Upper Village, área charmosa com opções gastronômicas, butiques e luxuosos hotéis como o Fairmont Chateau e o Four Seasons Resort.

Pela vila, aliás, há muitas lojas de roupas de esporte de neve e de souvenir, com imãs e camisetas. Caso prefira algo mais local, além das toucas de neve, experimente comprar barras e bombons da Roger’s Chocolates e da Rocky Mountain Chocolate Factory.

Depois do anoitecer

No fim do dia, ainda que tenha aproveitado apenas a parte não-esquiável de Whistler, curta o après-ski. A happy hour depois do dia na neve faz parte da cultura da montanha. Na base de Whistler, a Garibaldi Lift Company (GLC) é um lounge que atrai muita gente para ver o movimento, bebericando e beliscando. Para um après-ski em clima de balada, vale visitar o Merlin’s, bar encontrado na outra montanha da estação, a Blackcomb.

A vila oferece bons restaurantes para jantar, entre eles, o Red Door Bistro, que serve de frutos do mar a javali, e o Araxi, com seu renomado bar de ostras.  Uma oportunidade de relaxar e relembrar as aventuras do dia, especialmente se tiver sido um dia de blue bird (expressão dada quando o céu azul é limpo e intenso). 

NÃO PERCA

Spa

A tradição finlandesa de banho quente seguido por gelado, para aliviar a tensão muscular e liberar endorfina, exige apreço pelo choque térmico. Aos bravos, a promessa de sair do Scandinave Spa revigorados. A unidade fica a 1,5 km do centro do vilarejo – é fácil pedir um táxi para ir e outro para voltar. 

A empresa fornece o roupão, e o visitante deve levar roupa de banho e chinelos. Celular e bate-papo são proibidos. O silêncio, segundo a filosofia do spa, é fonte de força interior. A duração do circuito de banhos proposto é de 2h. A piscina a 40 graus é uma delícia, ao ar livre, com tudo nevado no entorno. Duro é sair dali para se enrolar no roupão com a temperatura ambiente de 10 graus negativos. Os tratamentos custam a partir de 230 dólares canadenses (R$ 711).

Arte local

Com uma área de 5,2 mil metros quadrados, o Audain Art Museum reúne 200 obras de arte. É surpreendente ver uma instituição desse porte numa cidade de apenas 12 mil residentes fixos. Aberto desde 2016, o Audain foca nos trabalhos de British Columbia, apresentando um passeio pela arte criada na província desde o século 18. A coleção permanente engloba de máscaras das Primeiras Nações a pinturas da modernista Emily Carr. Entrada a 18 dólares canadenses (R$ 55).

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