Luiz Fernando Toledo/Estadão
Luiz Fernando Toledo/Estadão

Winchester, o último lar de Jane Austen

Cidade de ar bucólico dos romances da escritora também foi onde ela passou os últimos dias da vida, em 1817

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2017 | 04h30

Winchester, capital do condado de Hampshire, muito se assemelha às cidades de ar bucólico dos romances de Jane Austen. Talvez por isso tenha sido ali que a autora decidiu passar seus últimos dias, em 1817. 

Com apenas 50 mil habitantes, a população da cidadezinha a 100 quilômetros de Londres é dividida basicamente entre trabalhadores do comércio e estudantes. Alunos e pesquisadores do mundo todo (especialmente os chineses) são atraídos pela University of Winchester. 

Um dos principais cartões-postais locais, a caminhada na pista ao lado Rio Itchen parece saída de um conto de fadas. A trilha não é exatamente longa, mas convida à contemplação. Bancos de madeira estão espalhados pelo entorno – basta sentar e deixar a imaginação correr. Na sequência, ruínas do Wolvesey Castle, residência de bispos no século 17, ganham cor com uma moldura de árvores. Ótimo lugar para tirar fotos – especialmente no verão. 

Seguindo pela College Street você encontra a Winchester College, uma das faculdades mais antigas da Grã-Bretanha ainda em funcionamento, com cerca de 600 anos. O espaço é aberto à visitação (winchestercollege.org/guided-tours; £ 8 ou R$ 30). 

Na mesma rua, no número 8, está o último lar de Jane Austen. A escritora veio de Chawton, a poucos quilômetros, para se tratar de uma enfermidade desconhecida – até hoje não se sabe as razões de sua morte, em 18 de julho de 1817. Não é permitido entrar no local, mas dá para visitar seu belo jardim.

Para celebrar os 200 anos da morte da escritora, o site oficial de Winchester (visitwinchester.co.uk) sugere um passeio pelo condado de Hampshire, seguindo os passos da autora desde seu nascimento. Baixe o material, que inclui mapa e guia de eventos, em bit.ly/janepdf. Visite também o site comemorativo: janeausten200.co.uk.

 

Távola Redonda. Entre casas coloridas e muito floridas e feiras convidativas de Winchester, há muitos pontos de interesse histórico. O Hospital of Saint Cross, do século 12, é a instituição de caridade mais antiga do país, com várias áreas abertas à visitação. 

A construção se manteve preservada, o que não aconteceu com Castelo de Winchester. O Great Hall, salão nobre de colunas de mármore e vitrais, é o que restou do castelo construído a mando de William, o Conquistador, no século 13. Mas o local é famoso mesmo pela Távola Redonda, uma enorme mesa onde, de acordo com a lenda, o Rei Artur se reunia com seus cavaleiros. 

Ícone. O principal ponto turístico da cidade, contudo, é a Catedral de Winchester, uma das maiores da Europa. Você não precisa entender muito da história inglesa para admirar a construção e o parque que se abre à frente dela. 

Com suas 500 toneladas de cobertura, a catedral começou a ser erguida ainda no século 7, quando uma monarquia pagã se tornou cristã. Fique o tempo necessário na entrada, observando as nuances do telhado e suas curvas. Por dentro haverá muito mais (entrada £ 8; R$ 30). 

É ali que está enterrada Jane Austen – a catedral tem uma exibição permanente sobre a escritora, suas ligações com a cidade e outras curiosidades. Ao se aproximar da placa reluzente que traz o nome de Austen, é possível ler seu epitáfio: “Conhecida por muitos pelos seus escritos, querida de sua família pelos muitos encantos de seu caráter e enobrecida pela fé e piedade cristãs, nascida em Steventon, no condado de Hants em 16 de dezembro de 1775 e enterrada nesta catedral em 24 de julho de 1817. Abriu a boca com sabedoria e a lei da clemência estava em sua língua.”

Além de Jane Austen, há muitos nobres enterrados na catedral. É o caso do Rei Canuto II da Dinamarca, morto em 1035. Há mais curiosidades no site da catedral (winchester-cathedral.org.uk), mas você também pode se programar para as visitas guiadas, que ocorrem de hora em hora, de segunda a sábado, das 10 às 15 horas.

 

DICAS

Gim: aqui que se produz o gim azul da Bombay Sapphire – visite a destilaria (£ 15; R$ 58) e monte sua própria bebida. A cidade também é rica em pubs e cervejas artesanais. The Black Boy e Plough Inn são boas opções.

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