Adriana Moreira|Estadão
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Los Angeles: comer, beber, curtir e badalar a cidade com estilo

Fora do caos turístico da Calçada da Fama, Los Angeles revela suas múltiplas personalidades: cinematográfica, econômica, descolada... Qual é a sua?

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 03h00

Não se trata apenas de uma cidade. Los Angeles está mais para um organismo vivo, repleta de humores e personalidades – de certa forma, se parece um pouco com as celebridades que a adotaram. Pode ser irreverente como a apresentadora Ellen DeGeneres, caótica como a fase careca de Britney Spears, simpática como Tom Hanks ou camaleônica como Al Pacino. 

Nos últimos anos, contudo, Los Angeles está Frank Gehry: moderna e exibida como os projetos do arquiteto canadense, que adotou a cidade em 1947. Quer um exemplo? Em Downtown, o U.S. Bank Tower, prédio mais alto da cidade, com 310 metros de altura, terá um escorregador feito de vidro entre o 69.º e o 70.º andares, do lado externo do prédio, o Skyslide. A atração fará parte do OUE Skyspace L.A., mirante com vista 360° e bar, com inauguração marcada para 25 de junho. Os ingressos já estão à venda (US$ 19).

Também em Downtown, o museu The Broad é outro que tem tudo a ver com essa nova fase de L.A. Desde que abriu para o público, em setembro, as filas para ver seu delirante acervo com centenas de obras contemporâneas são uma constante. E não parece que elas vão acabar tão cedo (leia mais sobre ele aqui).

Não é só no campo arquitetônico e cultural que Los Angeles está se modernizando, mas também na questão dos transportes. Conhecida por seu trânsito caótico, a rede de metrô da cidade está em ampliação – em 20 de maio, a ExpoLine terá mais sete estações, concluindo a ligação entre Downtown e Santa Mônica. Assim, para chegar ao balneário vizinho serão necessários exatos 46 minutos, passando por 20 estações, com trens saindo a cada 12 minutos, em média.

O metrô também leva à Calçada da Fama e ao aeroporto internacional, mas a rede é insuficiente. Por isso, ainda não é a primeira escolha de transporte dos turistas. Se você é daqueles que gosta de explorar a cidade por conta própria, vale baixar o aplicativo da rede Metro de transportes (que une ônibus e metrô).

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Há, claro, os táxis, que sentiram o efeito Uber e estão impressionantemente cordiais. Diferentemente da minha primeira visita à cidade, os motoristas me ofereceram bala, água, dispensaram a gorjeta e esbanjaram simpatia nas corridas. Mas, dependendo de onde você estiver, pode ser difícil conseguir um sem o número de uma companhia à mão. Para os adeptos do aplicativo polêmico que não ativarem o roaming do celular com medo das altas taxas, uma boa notícia. Caso não encontre nenhum Starbucks (fonte segura de Wi-Fi), muitos pontos de ônibus oferecem internet grátis.

De onde e para onde ir? Bem, isso é com você. Como Los Angeles é grande, uma boa ideia é dividir sua estada entre Downtown e Hollywood e experimentar o melhor de cada região. Veja qual faceta da cidade mais combina com você abaixo – e boa viagem.

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ANTES DE IR

Aéreo: ida e volta de São Paulo, a partir de R$ 2.027,17 na Copa

 Hotéis: em frente ao The Grove, o The Farmer’s Daughter é aconchegante, tem piscina e empresta bikes (desde US$ 214 o casal); outro com bikes é o hotel-butique Kimpton, próximo ao Lacma (US$ 351); em Downtown, o moderno e confortável The Standard (US$ 251) tem um clube de pingue-pongue onde até Obama já jogou

Site: discoverlosangeles.com

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O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 02h55

The Broad

Inaugurado em setembro do ano passado, o The Broad é a casa de mais de 2 mil trabalhos contemporâneos – incluindo obras de Damien Hirst, Andy Warhol, Roy Lichenstein, Jean-Michel Basquiat, Takashi Murakami. Depois de ver todo o acervo, fique um tempo apreciando o vídeo The Visitors, no térreo, do islandês Ragnar Kjartansson. A obra retrata, simultaneamente, nove cômodos de uma casa, cada um com um músico – o próprio Ragnar pode ser visto dentro de uma banheira. O resultado final é deslumbrante – sente-se no chão e aprecie cada segundo do espetáculo. 

Tudo é arte no museu – até mesmo o prédio, feito pelo escritório de arquitetura Diller Scofidio + Renfro, ao custo de US$ 140 milhões. O acervo foi acumulado por Eli Broad, um empresário de sucesso que, ao lado da mulher Edythe, criou a Broad Foundation, uma instituição com foco em popularizar arte, educação e ciência. Por essa razão, a entrada no The Broad é gratuita (e as filas, imensas). 

Se você já tiver as datas de sua viagem, o melhor a fazer é reservar o ingresso com antecedência. É preciso entrar no site no começo do mês para tentar um tíquete para o mês seguinte. Caso não consiga, não tem jeito: é fila na certa. Já que está em férias, vá durante a semana, quando o tempo de espera pode chegar a 45 minutos – e não 1h30, como nos fins de semana. 

Observatório Griffith

Localizado no alto de uma colina, o observatório oferece uma vista privilegiada de Los Angeles – e, claro, do céu. A entrada é gratuita e a programação também está cheia de atividades especiais sem custo algum. Algumas apresentações no planetário podem ser pagas – mas os valores costumam ficar em torno de US$ 5. Um sábado por mês ocorrem as Public Stars Parties, com diversos especialistas e telescópios disponíveis para observar a lua, o sol e planetas – a próxima será este sábado e a seguinte, em 11 de junho.

California Science Center

Para ver as exposições permanentes do centro de ciências não é preciso pagar nada. Mas você vai querer visitar a nave espacial Endeavour, doada pela Nasa, e assistir a um filme IMAX em 3D sobre o planeta, o espaço ou a natureza. O ingresso combinado para ambas as atrações custa US$ 16,75.

Um lugar na plateia

Você é fã de séries e programas de auditórios? Sim, é possível conseguir um dos (disputados) lugares para acompanhar as gravações de alguns episódios, mas perseverança é fundamental. Assim que tiver as datas da sua viagem, comece a acessar o tvtickets.com, site que reúne boa parte da agenda de gravações de Los Angeles – incluindo títulos como The Big Bang Theory, o lançamento do Netflix Fuller House e Mom. No 1iota.com, há programas de entrevistas como Jimmy Kemmel Live e realities como The Voice. Já no on-camera-audiences.com, American Idol, Hell’s Kitchen e Dancing With The Stars. Todos os ingressos são gratuitos.

Farmer’s Markets

Os farmer’s markets são o equivalente às nossas feiras, mas em vez de pastel para matar a fome há crepes, comidas étnicas, panquecas, omeletes e limonadas, com preços que dificilmente chegam a US$ 10. Muitas focam em produtos orgânicos e veganos. 

 Há também o The Original Farmer’s Market, em funcionamento desde 1934. Apesar de ser coladinho no The Grove, shopping a céu aberto com lojas de grife, é possível comer bem ali do café da manhã ao jantar com menos de US$ 15. Entre as boas pedidas, o mexicano Loteria Grill, os ótimos sanduíches do Phil’s Deli and Grill e a culinária japonesa do Sushi a Go Go.

Food Trucks

Não é de hoje que o fenômeno dos food trucks faz sucesso em Los Angeles. Um point clássico dos caminhões de comida na hora do almoço é em frente ao museu Lacma, com uma imensa variedade: hambúrgueres, comida tailandesa, tacos, lanches naturebas. O preço médio dos pratos fica em torno de US$ 10 – sempre muito bem servidos. Para encontrar outros points, clique aqui. Sobre o Lacma: o ingresso para esse ótimo museu custa US$ 15, mas é grátis na segunda terça-feira do mês e em alguns feriados. Cheque aqui.

Grand Central Market

Em Downtown, o Grand Central Market está em funcionamento contínuo desde 1917. Embora tenha passado por altos e baixos, o local agora vive uma ótima fase, mantendo a essência de mercado de bairro e, ao mesmo tempo, criando espaço para jovens e criativos chefs. O Ramen Hood, por exemplo, serve apenas lámens e é 100% vegano; o Horse Thief é especializado em churrasco; o China Café é um dos mais antigos e ainda mantém aqueles banquinhos típicos dos antigos dinners americanos; o Bombo, do chef Mark Peel, oferece pratos marinados em caldos cheios de sabor. Provei o shrimp butter boil, com camarões apimentados, bacon e arroz (US$ 13). Inesquecível.

O grande movimento se concentra durante o dia. Mas, com a chegada de cervejarias e bares de vinho, a ideia é atrair a clientela para o happy hour – de quinta-feira a sábado, o mercado já funciona das 11 às 21 horas (nos outros dias, fecha às 18 horas).

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O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 02h55

Arts District

Uma região de indústrias, repleta de galpões, vem dando espaço para lofts, cervejarias, lojas colaborativas e restaurantes naturebas como o The Springs, com sucos energéticos e petiscos veganos. Caminhar por ali é se deparar com muitos ciclistas e imensos murais grafitados.

O Guerilla Atelier tem esse espírito. A loja, com roupas e objetos de decoração, vende coleções de estilistas locais e tem um espaço de exposições. Não espere pechinchas. Para acessórios e roupas com estilo, mas mais em conta, o Arts District Co-op tem estandes de expositores variados.

Bares que fabricam a própria cerveja são a sensação na vizinhança. Um dos points clássicos é o Angel City Brewery, que não vende comida e tem sempre um food truck parado em seu estacionamento. Recém-inaugurada, a Iron Triangle tem decoração clean e tonéis imensos na entrada. Proposta bem diferente da Arts District Brewing Co., cheia de mesas de jogos coloridos e barulhentos. Nas três, a maior parte dos rótulos custa US$ 7.

Sunset Boulevard

Ao longo de seus 35 quilômetros, a Sunset Boulevard muda bastante de perfil – na altura do número 3.500 ela é hipster. Nas manhãs de sábado, restaurantes como o Trois Familia, no 3.510, ficam lotados para um brunch com os amigos. Aberto só até as 14 horas, tem como um dos donos o chef-celebrindade Ludo Lefebvre e cardápio inspirado nas culinárias francesa, mexicana e californiana. O espaço é pequeno e as filas, grandes. Os pratos têm preço médio de US$ 11.

Siga caminhando até a Vacation Vinyl, no 3.815, e se perca em uma infinidade de LPs e fitas cassete. No 3.910, o Bar Keeper é para quem não dispensa um drinque: repleto de acessórios criativos, copinhos bacanas e bebidas do mundo inteiro. Até chegar ao Inteligentsia Coffee, no 3.922, há butiques, brechós e restaurantes simples e atraentes. No Inteligentsia, os grãos selecionados vêm do mundo inteiro: Ruanda, Bolívia ou Carmo de Minas, aqui no Brasil.

Comer e beber

Os rooftop bars – bares localizados no alto dos prédios de Downtown – são os novos queridinhos de Los Angeles. O do Standard Hotel não cobra entrada até às 19 horas e é bem disputado – hóspedes são sempre VIPs (diárias desde US$ 215) e não pegam filas. O Perch é um bistrô francês refinado, com preços entre US$ 20 e US$ 30 que exige reserva. Mas você pode apenas sentar no bar, pedir um drinque e curtir a vista. 

Com serviço do café da manhã ao jantar, o Tart, no Farmer’s Daughter Hotel, tem ambiente informal e menu criativo. Os camarões na brasa com quiabo, guisado de milho e ovo com gema mole (US$ 15) vão bem com uma cerveja. De sobremesa, peça o pudim de pão com banana brulée, nutella e sorvete (US$ 7) e me agradeça depois. Para petiscar ou jantar com amigos em clima de balada, o Cleo, no Redbury Hotel, despacha pedidos fabulosos do bar (como o Mojito com gengibre, US$ 15) e da cozinha (kebabs variados a US$ 8 cada).

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O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 02h55

Passear por Los Angeles significa se deparar com um set de gravação quando menos se espera – até dentro do ônibus hop on-hop off (sim, aconteceu comigo). Embora a indústria cinematográfica esteja encolhendo na cidade, graças aos incentivos fiscais oferecidos em outros Estados, os principais estúdios ainda estão em Los Angeles. Além, claro, da cerimônia do Oscar e da Calçada da Fama. Aliás, se quiser a foto da estrela de seu artista favorito, veja a localização aqui. Você não vai querer procurá-la entre as 2.579 distribuídas entre a Hollywood Boulevard e Vine St.

Casas das celebridades

O passeio mais clássico (e turístico de Los Angeles) tem sua graça – desde que você entre no clima. Há várias empresas que operam o tour, concentradas na Hollywood Boulevard, com pequenas variações no itinerário, mas o mesmo princípio: primeiro, uma paradinha num mirante nas colinas de Hollywood para uma foto panorâmica. Depois, duas horas sem descer da van, passando por casas de famosos como Tom Hanks, Ryan Gosling e Al Pacino, a mansão que pertence a Tony Stark em Homem de Ferro, a loja das Kardashians nas imediações da Rodeo Drive e o prédio onde Vivian (Julia Roberts) morava em Uma Linda Mulher. Dica: jamais pegue o tour das 14h30 numa van sem cobertura num dia de sol.

The Hollywood Museum

São 10 mil itens em exibição que contam a história da indústria cinematográfica em Hollywood. Figurinos, roteiros originais, fotos e objetos pessoais de estrelas – como o roupão de Elvis Presley, o vestido de Marilyn Monroe e as luvas de Rocky Balboa. Ingresso: US$ 12.

Tours nos estúdios

Quem é fã de séries e cinema não pode deixar de fazer os tours nos estúdios. Warner (US$ 62), Sony (US$ 40) e Universal (US$ 95) têm os seus, com características próprias. 

Na Universal, o tour tem o clima de parque de diversões onde o estúdio está inserido – o valor do ingresso inclui os brinquedos do parque. Os carrinhos de golfe saem em sequência e passam por áreas onde foram filmados diversos sucessos de bilheteria. Sem spoilers, dá para dizer que há muitas surpresas – como na área especial do King Kong e o tanque onde foi filmado Tubarão (1975).

Ninguém desce dos carrinhos – diferentemente do tour da Warner, onde o guia pergunta quais são os programas favoritos de cada um para destacar as curiosidades. São três horas, passando pelo beco onde o Homem-Aranha beijou Mary Jane na chuva, a casa onde viviam os pais de Ross e Mônica em Friends (a mesma onde vivem Lorelai e Rory em Gilmore Girls), a loja de quadrinhos de Stuart em The Big Bang Theory, os estúdios de gravação, um pequeno museu da saga Harry Potter. Ao final, uma área desvenda os bastidores da rotina dos estúdios, com making of de efeitos especiais e curiosidades, como o teste para o papel de Superman de Christopher Reeve. Para os fãs de Friends, o grand finale: tirar uma foto sentado no sofá original do Central Perk.

Na Sony, são apenas quatro saídas diárias e a grande estrela é um programa de auditório amado pelos americanos: Jeopardy, uma espécie de Show do Milhão. O tour tem duas horas de duração, com direito a ver de pertinho o motorhome usado por Walter White e Jesse Pinkman em Breaking Bad.

Pink’s Hot Dogs

Na mesma família desde 1939, o Pink’s é daqueles lugares clássicos, com charme meio decadente. Adorado por muitas das estrelas hollywoodianas, podia também ter entrado nos programas baratos: o cachorro-quente imenso com o famoso molho de chilli custa US$ 3,70 e os anéis de cebola, US$ 3,10. O cardápio é imenso, com nomes que homenageiam famosos como Marlon Brando, Ozzy Osbourne, Martha Stewart... Fica aberto até às 2 da manhã – vá com paciência para as filas.

Tagine

O restaurante é pequeno, sem grandes atrativos do lado de fora. Mas o Tagine tem como um de seus sócios Ryan Gosling, que, dizem, vez ou outra aparece por lá. O cardápio, criado pelo chef Ben Benameur, tem sabores marroquinos refinados. O menu degustação começa em US$ 75 – há pratos principais por a partir de US$ 21.

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