Mônica Manir|Estadão
Mônica Manir|Estadão

Na Suíça, veja de perto 'o Oitavo Passageiro'

Museu em Gruyères destaca obra do artista H.R. Giger, ganhador do Oscar em 1980 com o filme "Alien, o Oitavo Passageiro"

Mônica Manir, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2016 | 12h12

GRUYÈRES - Em meio ao bucolismo da vila de Gruyères, um prédio, o Château St. Germain, se destaca por sua atmosfera dark. Ali se instalou o Museu H.R. Giger, dedicado à obra do artista suíço que, em 1980, ganhou o Oscar de efeitos especiais pelo filme Alien, o Oitavo Passageiro.

Giger era um ser multifacetado. Pintou, cenografou, ilustrou capas de discos e esculpiu, tudo num estilo que mistura o surrealismo com o a ficção científica. Estão pelas paredes desenhos muito detalhistas. Vá sem pressa, porque é preciso decantar a mente diante de cada um.

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Aos poucos começam a se engrenar alienígenas de dentes afiadíssimos, armas, serpentes, máquinas, fetos. O erotismo também permeia tudo. Mas uma sala vermelha, proibida para menores, concentra o que há de mais picante. Giger inspirou uma leva de artistas, que presentearam o mestre com aliens e esculturas lindamente cavernosas, à disposição para visitas no último andar do prédio, onde se encontra sua coleção pessoal.

Do outro lado da estreita rua, o bar Giger simula o interior de um corpo gigantesco – uma baleia ou um ser mutante, talvez. Olhe para o teto e verá estrelas? Não, costelas. Olhe para a mobília e verá cadeiras? Não, tronos. Olhe para o cardápio e verá pílulas? Não, quiche lorraine, cappucino e crème double com merengues. A ousadia teve seus limites.

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H.R. Giger, cujo nome é Hans Rudolf, morreu em maio de 2014, ao cair da escada da casa em que morava. Sua quarta e última mulher, Carmem, abalada pela morte, não voltou ao museu desde então. “Normalmente, os artistas que conseguem mergulhar no mais íntimo do seu trabalho são vistos como controversos ou perturbadores”, afirmou ela, em 2013. “Seria fantástico se realmente houvesse unanimidade sobre sua arte.” Carmen certamente não conheceu Nelson Rodrigues e sua “unanimidade burra”. Giger nasceu para ser fora da curva.

Mas foi consenso entre meus neurônios e meu coração que, assim que chegasse ao Brasil, ia rever a quadrilogia do Alien. A entrada no museu custa 12,50 francos (R$ 51).

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*A repórter viajou a convite do Turismo da Suíça.

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