Questões de viagem e coração

Mr. Miles nos envia carta com selo espanhol, carimbada na cidade de Teguise, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Junto às respostas aos leitores (manuscritas), ele apôs um bilhete

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 02h40

Sorry, my friends, mas acho muito charmoso entrar numa agência de correios – ainda mais em tempos em que as pessoas não conseguem mais falar umas com as outras sem a ajuda de algum aplicativo. Para mim, não há aplicativo melhor do que escrever corretamente ou conversar com franqueza olhando dentro dos olhos do(a) interlocutor(a). Especialmente nesta parte da Macaronésia, onde eles – os post offices – ainda parecem saídos de um filme mudo. Vou aproveitar um pouco do sol farto e da natureza impressionantes dessa ilha”.

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A seguir, as perguntas da semana: 

Mr. Miles: gostaria de entender como funciona o coração de um “errante”. Na falta de um porto seguro, como o senhor lida com as paixões que deixa pelo caminho? Ou prefere não se envolver?

Lothus Minott, por e-mail

Nice name, Lothus. A sua pergunta é muito bonita, but, I’m afraid, não tenho uma resposta objetiva a lhe oferecer. Questões de coração, unfortunately, não são objetivas como perguntas de álgebra. Deixei meu coração com muitas mulheres, em muitos lugares. Levei alguns comigo; outros não. Trago boas e más lembranças e suponho que produzi sensações semelhantes pelo caminho. 

Anyway, Lothus, o fato de eu viajar com frequência não muda nada nessa matéria. Tive paixões que me fizeram ancorar longas temporadas em portos remotos e, em duas ocasiões, ocorreu o contrário: mulheres inesquecíveis me acompanharam mundo afora, até que, possivelmente, se cansaram das manias de, as you say, um errante compulsivo.

Quer saber de uma coisa, darling? Quanto mais eu penso, mais me convenço de que o amor e a viagem andam juntos, mas uma grande paixão pode ocorrer até na esquina de sua casa, entre pessoas que jamais deixaram o próprio bairro. Viajantes, perhaps, tenham a oportunidade de conhecer mais gente do que pessoas sedentárias. Mas creio, sem nenhuma dúvida, que sometimes a gente viaja e o coração fica. E, another times, a gente fica e o coração viaja. Ainda bem que temos esses dois prazeres para viver durante a vida. E por muitas e muitas vezes. Don’t you agree?”

Mr. Miles, gostaria de sondá-lo sobre a possibilidade de fazer uma palestra para os membros de nosso clube de gerentes aqui em Belo Horizonte. Tenho certeza de que todos gostariam muito de ouvir suas histórias. 

Renato Versilo, por e-mail 

“Roberto, my friend, I’m very flattered por seu simpático convite e muito me honraria trocar ideias com os membros da entidade que você representa – com certeza, homens de muita energia em minha saudosa Minas Gerais. Especialmente agora, nesse momento diferente que o Brasil está passando. Como é de seu conhecimento, estive por aí, no Vale do Peruaçu (acima do Rio São Francisco), na passagem do ano. But, in fact, since Drummond passed away, não tenho sentido o prazer de um torresminho com cachaça ou de cortar a ressaca com uma ôlha (sopa) suculenta.

Há um pequeno problema, contudo. Apesar de muitos me considerarem um desocupado diletante, o fato é que tenho uma agenda repleta nos próximos meses, com seis casamentos, catorze batizados e duas bar mitzvahs de gente muito querida. Viajar apresenta sempre esse problema grave: quanto mais você roda, mais amigos conquista. Therefore, a vida se torna muito festeira. Quem sabe possamos voltar a falar no futuro.”

 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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