Os altos e baixos de quem faz um intercâmbio
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Os altos e baixos de quem faz um intercâmbio

amandanoventa

24 Maio 2015 | 20h16

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Uma amiga foi fazer intercâmbio de um ano na Alemanha e não consegue decidir se está gostando ou não. Cada vez que nos falamos ela está de um jeito: uma hora está ruim porque é inverno, depois fica bom porque a primavera chegou, mas está ruim porque ela não consegue fazer muitos amigos e a roomate dela não é das melhores, mas é bom porque a universidade é impressionante e ela aprende bastante… Mas gosto de dizer que a graça do intercâmbio está aí: um turbilhão de emoções de “gosto-não-gosto” sem você, de fato, precisar decidir alguma coisa. Apenas viver.

Quando cheguei nos Estados para fazer meu intercâmbio de um ano e meio estudando e fazendo trainee, tive uma conversa com os organizadores do intercâmbio, que dentre alguns materiais que me entregaram, havia um gráfico bastante interessante sobre os estágios de adaptação cultural:

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O gráfico não é uma regra, claro. Cada um reage de uma maneira de acordo com sua própria personalidade, o novo ambiente e cultura que está vivendo. Mas não dá pra negar os altos e baixos. Antes da viagem você mistura a euforia de estar indo com o nervosismo que envolve qualquer planejamento de viagem. Quando você chega é uma alegria só e vive uma fase de lua-de-mel com o lugar. Depois vem um choque cultural que pode ser positivo ou negativo. E então você se adapta com qualquer coisa, seja boa ou ruim. Até que antes de voltar vem aquela mistura de emoções novamente, a alegria de voltar com a tristeza de deixar o que conquistou.

Nenhum desses altos e baixos faz da sua experiência inválida. Mas vale lembrar algumas coisinhas para ficar mais tranquilo:

O frio na barriga antes da viagem é normal. Mas não sentir nada também é.

Até hoje me lembro que antes de viajar para o intercâmbio eu não sentia absolutamente nada. Eu só tinha saído do país uma única vez aos treze anos para ir a Disney com a família e mesmo assim pensar em passar um ano e meio fora do país era a coisa mais normal pra mim. Acho que porque eu sentia tanto que era ‘a coisa certa a fazer’, que não fazia sentido ficar ansiosa por isso. Mas, sentir um frio na barriga é o mais comum. Afinal, ninguém sabe exatamente o que está te esperando do outro lado. E então vem uma confusão de sentimentos: ao mesmo tempo em que você fica empolgado, se estressa porque não sabe e o visto vai chegar a tempo. Tudo absolutamente normal e bom de sentir.

Expectativa x Realidade

As expectativas: vou chegar lá e fazer um monte de amigos, viajar o país inteiro, fazer compras, arranjar um trabalho, voltar falando o idioma fluentemente… E a realidade: não é fácil fazer amigos, sua roomate é uma coreana não muito legal, ninguém entende o que eu falo, não sabia que meu trabalho seria cortar batatas o dia todo, e assim vai. Uma amiga que foi ser au pair na França me escreveu esses dias contando: “Cheguei à estação de trem e já pensei ‘o que eu estou fazendo aqui?’. Fui pra casa da família, confusa com os meus sentimentos e fui bem recebida por todos. No entanto, cheguei no meu quarto e desabei a chorar. Estava tudo ótimo mas eu não sabia o que estava acontecendo. Então pensei: ‘calma que amanhã tem o curso de francês e aí tudo melhora’. Mas o curso era de reforço para pessoas mais velhas. A cidade era uma vila, as crianças davam trabalho de crianças e os pais eram uns fofos mas eu estava infeliz. Fiquei um mês, larguei tudo e me mudei pra Manchester para fazer qualquer outra coisa e agora está tudo ótimo”. Sem julgamentos do que ela deveria ter feito ou não, o ponto é: nem sempre a expectativa corresponde à realidade. Nem sempre o que você espera que vá sentir é o que você sente. Essa fase pode parecer ruim, mas é também parte do autoconhecimento que um intercâmbio proporciona.

Não tem problema falar o novo idioma errado. Mas fale.

É bastante comum se sentir inseguro para falar o idioma que você está aprendendo. Parece que ninguém está entendendo o que você fala ou não tem paciência para esperar você formular as frases. Mas isso faz parte do aprendizado. Em geral você primeiro começa a entender e depois a falar. O importante é você não ter vergonha de arriscar e, principalmente, pedir às pessoas mais próximas para que te ajudem, corrigindo algum erro ou ensinando algo novo. Só mais uma dica: namorar uma pessoa nativa daquele país também ajuda…

Tudo bem sentir saudades de casa

Está todo mundo achando que você está no ‘bem bom’, vivendo a tão sonhada experiência fora do país, mas eu e você sabemos que as coisas não são tão perfeitas assim, não é? Não conseguiu fazer tantos amigos legais, seu trabalho já cansou, as aulinhas continuam na mesma e puxa, já deu pra sentir falta do arroz-feijão. Mas tudo bem, não tem problema. Isso não significa que você quer exatamente voltar correndo pra casa ou que seu intercâmbio não esteja sendo legal. Sentir saudades nesse caso é saudável, normal. Aguenta as pontas e vamos aproveitar o lado bom da experiência!

Você pode ter uma relação de amor e ódio com o novo país

A qualidade de vida é boa, mas as pessoas são chatas. O país é diferente e exótico, mas as coisas não funcionam. Parece o Brasil, mas ninguém te trata bem. É país de primeiro mundo, mas você não consegue abrir uma conta do banco sem burocracia – esses são alguns exemplos de frustrações que podem acontecer quando se vive em outro país. O que é normal, pois você está vivendo no país. Não são férias onde as chances de se frustrar são menores ou, se acontecer, acabam em duas semanas. Viver é diferente: você tem que lidar com todas as diferenças culturais em tempo integral. Mas ao mesmo tempo, são essas diferenças que tornam sua experiência tão rica e especial.

Você pode gostar e não poder ficar

Depois de ter enfrentado todo o período de altos e baixos do intercâmbio, estar finalmente adaptado e achando que poderia morar lá para sempre, é provável que você não possa ficar (seja pelo visto, por pendências no Brasil, questões familiares, etc.). Vai dar uma tristeza de partir misturada com a alegria de rever as pessoas no Brasil. E essa confusão de sentimentos (mais uma vez) se dá principalmente por perceber que apesar de todos os perrengues, você aprendeu muito e até se transformou numa pessoa mais madura e preparada. Na volta você pode perceber que o mais importante da viagem não foi o país em que morou, mas a pessoa em que você se transformou.

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