J.F.Diorio/Estadão
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Muito além do canudo

Não basta usar a hashtag da modinha para contribuir com o meio ambiente. O turista consciente pode fazer mais - inclusive no seu dia a dia

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2019 | 19h00

Não há como não se chocar com as imagens dos incêndios que seguem queimando quilômetros de florestas na Amazônia. Dói para quem vive ali. Dói para quem já visitou a região. E dói também para quem ainda sonha em conhecer esse pedaço privilegiado pela natureza. 

Por seus mais de 4 milhões de quilômetros quadrados se espalham 30 mil espécies de plantas, 2.500 de árvores e 4 mil de animais. Em termos de turismo, no entanto, todo esse privilégio acaba subaproveitado. Há ótimos empreendimentos na região que oferecem um turismo que une conforto para os hóspedes e sustentabilidade para as comunidades. Caso do Cristalino Lodge, que integra a lista dos 25 melhores ecolodges do mundo pela revista National Geographic. Ou do Uakari Lodge, que a respeito dos incêndios publicou sexta-feira em seu blog um tocante ensaio fotográfico com moradores das comunidades próximas, sob o título “A Amazônia é feita de Pessoas”.

Quando há tragédias de grandes proporções e uma consequente comoção pública, é comum surgirem campanhas de conscientização na internet. Não demorou para #prayforamazonia entrar para as principais hashtags nas mídias sociais. Mas não basta usar a hashtag da modinha. É preciso ir além. 

Sustentabilidade é um tema que deve fazer parte do nosso dia a dia: nossas escolhas também afetam o destino que pretendemos visitar nas férias. Por isso, deixo aqui algumas sugestões para colaborar não só com a Amazônia, mas com o planeta. 

Escolhendo o destino

Misturar turismo e sustentabilidade é uma fórmula de sucesso em países como Austrália, Nova Zelândia e Costa Rica. No Brasil, Bonito, no Mato Grosso do Sul, conseguiu unir preservação e com um turismo sustentável e altamente rentável para a cidade. Viajar para lugares comprometidos com a sustentabilidade significa que seu dinheiro vai contribuir com aquela região.

Escolhendo a hospedagem

Plaquinha pedindo para os hóspedes não trocarem as toalhas todos os dias não faz do hotel uma empresa sustentável. Hotéis sustentáveis de fato oferecem água filtrada para os hóspedes encherem a própria garrafa, reciclam, compram ingredientes de produtores locais e contratam mão de obra da região. Bons exemplos são os grupos Explora e Tierra, além de pousadas como a da Amendoeira, em São Miguel dos Milagres (AL).

 

Não é só o canudo

Da mesma forma, não adianta levar seu canudo de metal se para a praia se não mudar outros hábitos. Como bem lembrou Rita von Hunty, personagem do ator e professor Guilherme Terreri em um dos seus vídeos no YouTube, o canudo não é seu inimigo; ele é UM dos inimigos. Comprar 10 garrafinhas de água por dia e gerar essa imensa quantidade de lixo vai ser tão nocivo para o planeta quanto o canudo que você deixou de usar. Assim, leve de casa sua própria caraminhola – o aeroporto de São Francisco, na Califórnia, já não vende água mineral: os passageiros devem encher suas próprias garrafas nos bebedouros. 

Consumo consciente

Não precisa fazer voto de pobreza na viagem (embora a alta do dólar esteja tentando nos obrigar). Mas prefira comprar dos produtores e artesãos locais do que nas grandes redes. Em vez da lembrancinha made in China, certifique-se que você está comprando algo genuíno, produzido ali. 

Você é o que come

Diminuir o consumo de carne é uma forma de coibir a ganância de transformar áreas protegidas em pasto. Além disso, prefira consumir ingredientes locais e daquela estação. 

Viaje leve

Viajar significa contribuir com o aumento das emissões de CO2. Algumas empresas aéreas têm programas de compensação que incluem plantio de árvores, mas você também pode contribuir levando menos bagagem (quanto mais pesado o avião, maior a emissão de gases). No seu destino, preferindo o transporte público e os tours a pé e de bicicleta

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